quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Que venha 2011!



Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida.
Fernando Pessoa

domingo, 31 de outubro de 2010

A 1ª mulher do Brasil


Por Carlos Henrique Carvalho

Com o desfecho de um panorama político de baixo nível, marcado por inflamáveis agressões pessoais de ambos os lados (PT e PSDB), Dilma Rousseff do PT vence com uma expressiva votação (56% dos votos válidos) e acaba de se tornar a primeira mulher a ocupar o mais alto posto político no Brasil.
Já se foi o tempo em que o eixo sul/sudeste decidia a eleição. Grande parte dos votos da vitoriosa Dilma veio do Norte/Nordeste, regiões no qual o governo Lula vem deixando uma marca notável de obras e ações a serviço dos menos favorecidos. No atual governo começou-se a mudar a visão de que essas regiões representam o atraso e todos os tipos de retrocessos, muitas vezes, ocasionado pelo preconceito criados pelas mídias das regiões ricas. Hoje, o Nordeste tem três grandes metrópoles (Fortaleza, Recife e Salvador) que se situam em estados com crescimento econômico e político acima da média nacional. Isto cria condição para uma respeitabilidade maior no trato com a questão política.
De fato, com essa conquista, a política brasileira vive um novo momento histórico, na qual ela irá suceder o atual presidente, Lula da Silva, o primeiro a vir da classe mais pobre e, sem dúvida, o político brasileiro mais popular e respeitado dos 35 que ocuparam o cargo em 121 anos de República, quando em 15 de novembro de 1889, Marechal Deodoro da Fonseca se tornou o primeiro presidente do país, após liderar um golpe militar que derrubou a monarquia lusitana de Pedro II.
Há 6 meses, Dilma era uma quase desconhecida, mas com o apadrinhamento político de Lula, cresceu publicamente e alçou o cargo de mandatária máxima do país pelo próximo 4 anos.

domingo, 17 de outubro de 2010

A lei do piso dos professores

Por Carlos Henrique Carvalho

Deu no Jornal O povo do dia 17/10/2010

Há dois anos, no dia 16 de setembro de 2008, foi sancionada a lei que garantia um piso nacional para os professores de escolas públicas. Ela determinava que a partir de janeiro de 2010 nenhum profissional poderia ganhar menos do que R$ 950 por mês, valor corrigido atualmente para R$ 1.024. Mas uma disputa judicial complicou a implantação da lei, que ainda não é realidade em todo o País.

“A gente pode dizer que 99% dos estados não pagam o professor de acordo com a forma como a lei foi aprovada”, aponta, em tom de lamentação, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.

Um dos principais pontos da lei contestado por secretarias de Educação é a diferença entre o conceito de piso e remuneração. O texto coloca o valor de R$ 1.024 como vencimento inicial. Na avaliação da categoria, não poderia ser incluído no cálculo qualquer tipo de gratificação ou adicional. Mas os estados querem que a conta inclua todos os adicionais.

O que penso a respeito? Que os inimigos do piso são os governantes que se recusam literalmente a cumprir o que já foi declarado constitucional. Infelizmente, alguns deles foram eleitos e vão continuar seu projeto de afundar cada vez mais a educação no país. Nós, professores, só temos a lamentar que esta situação continue se arrastando por muito tempo sem expectativa de um desfecho otimista. Portanto, o professor não tem nada a comemorar, mas precisa urgentemente sair do marasmo em que se encontra a fim de brigar por direitos fundamentais a sua vida social.

Para ler mais, acesse:

http://www.opovo.com.br/app/opovo/brasil/2010/10/16/noticiabrasiljornal,2053479/dois-anos-depois-lei-ainda-nao-e-uma-realidade-nacional.shtml

domingo, 3 de outubro de 2010

Claude Lefort


O filósofo francés Claude Lefort (foto), pioneiro na denúncia dos totalitarismos, faleceu hoje, dia 3 de outubro, aos 86 anos. Colaborador da revista Les Temps Modernes até entrar em choque com Sartre pelo compromisso deste último com os comunistas e cofundador, junto com Henri Lefebvre e Cornelius Castoriadis, do Socialismo ou Barbárie, desde jovem esteve próximo ao marxismo, influenciado por seu mestre Maurice Merleau-Ponty.
Nascido em 1924, Claude Lefort era doutor em filosofia, lecionou na Universidade de Caen e tornou-se diretor na Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais francesa. tendo também dado aulas na Sorbonne e na Universidade de São Paulo. Sempre crítico à antiga União Soviética e sua estrutura, foi marxista e trotskista, mas acabou afastando-se progressivamente de tais correntes. Fundou, junto com Cornelius Castoriadis, a revista e o movimento ‘Socialismo ou Barbárie’ (1948-1965), ligados ao libertarismo socialista. Escreveu também para a importante revista cultural Les Temps Modernes e dedicou grande parte da sua obra à análise do fenômeno totalitário e das carências da democracia.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Peregrinando







Por Carlos Henrique Carvalho


Estou em Natal desde 05/09, tendo passado por João Pessoa em 11/09 para ver o show do Scorpions no Sun Rock Festival. Por isso, durante a peregrinação - acompanhada - sempre bem vinda, escrevo menos, vivo e reflito mais sobre a vida e seus múltiplos sentidos, descobertas, encantamentos, desejos e tédios. Tudo o que temos e tudo aquilo que nos falta, mas que continuamos a buscar indefinidamente nos lampejos da inspiração, sem pressa, sem temores, a vida que segue a si, no estranho humor da brisa do fim de mais uma manhã.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Em suspenso


Por Carlos Henrique Carvalho


Mais uma vez a categoria dos trabalhadores de transportes coletivos de Fortaleza dá mostra de ser uma classe despreparada para organizar uma greve forte e eficaz.
Na primeira greve apoiei e estive ao lado da reivindicação da categoria, mas dessa vez não posso me manifestar da mesma forma. Os motoristas perderam a razão quando ao invés de pressionar os empresários, forçaram a barra com a população penalizando-a com protestos em horário de trabalho, parando os coletivos em avenidas movimentadas e obrigando a população a descer. O resultado foi uma quebradeira generalizada aos transportes coletivos.
Sem dúvida, eles vêm cometendo um erro crucial ao forçar aumento de salário e outros benefícios na suposição ingênua de que os empresários lhe darão mais de 15% se porventura a prefeitura aumentar o preço já salgado das passagens. Qualquer motorista mais esclarecido sabe que os empresários não têm o menor interesse em dar tal aumento. Então, o que eles fazem? Sacaneiam descaradamente a população menos privilegiada, aquela mesma massa que é dependente do transporte coletivo e toma pau sempre que ocorre uma situação draconiana.
Novamente, por conta da abusividade da greve, o TRT mais uma vez declarou inválida a greve e obrigou a categoria a retornar a normalidade do trabalho. Então, ate a próxima terça a greve está suspensa, quando poderá haver uma conciliação entre as partes envolvidas no processo. Enquanto isso, o TRT determinou que motoristas, fiscais e cobradores do sistema de transporte coletivo de Fortaleza terão direito a receber, junto com o salário do mês de agosto, diferença salarial de 5,5% retroativa ao mês de maio último Enfim, espero com ansiedade que este tormento termine logo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E torna a voltar o que não foi


Por Carlos Henrique Carvalho


O cotidiano repleto de tédio não me surpreendeu com a notícia de que nesta quinta haverá nova greve de ônibus na Fortaleza não tão bela assim. Como eu já havia dito antes, nos posts do dia 9 e 22 de junho deste ano, a população continuará sendo a grande prejudicada nesta palhaçada que envolve políticos, empresários e a categoria dos trabalhadores. O fracasso da greve anterior fez com que o sindicato dos trabalhadores que prestam o serviço de transporte urbano se reorganizasse e voltasse à tona com mais uma “sacanagem” contra a população de Fortaleza.

Ao Jornal O povo do dia 11/08, o assessor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), Valdir Pereira, afirmou que a greve de motoristas e cobradores está mantida. O sindicato não assinará petição de dissídio coletivo como proposto nesta quarta-feira, em nota, pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus). Se houvesse a assinatura do dissídio pelos dois sindicatos, a Justiça do Trabalho seria a responsável por determinar a solução para o fim do impasse sobre o reajuste salarial. A categoria cobra 15% de aumento, enquanto o sindicato ofereceu 5,5%.

Pelos rumores do vento que sopram por esta cidade, só posso reduzir a questão numa frase sintética, porém, sincera: “Quem for podre que se quebre”.