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sábado, 26 de novembro de 2011

Mais uma piada da Apeoc


Por Carlos Henrique Carvalho

Professores, honestamente respondam: O que mais podemos fazer quando os direitos de uma categoria combalida como é a nossa são aviltados por quem de fato deveria cumprir o que determina a lei? Se não temos representantes políticos a altura que seja capaz de incentivar uma luta por melhorias na nossa estrutura de trabalho e de vida, o que restará a nós?
Se depender da categoria (APEOC) que diz representar os professores, estamos todos indo cada vez pior. É sem dúvida, a pior categoria de uma classe trabalhadora no Brasil, formada por indivíduos comprometidos em causas próprias, desinteressados em fazer o seu papel de defensor dos direitos dos professores.
Diante do quadro desolador, alguns questionamentos são fundamentais: o que fazer? Como lutar? Já que não há categoria que lute por nós, professores, devemos buscar outros meios de superar esta deficiência e fazer valer o direito mais que sacramentado.

sábado, 15 de outubro de 2011

Dia do professor: dia de diálogo


No dia 15 deste mês comemora-se o dia do professor. Mas como não há motivos para comemorar, vamos falar um pouco da importância do diálogo na escola.

Inicialmente é preciso constatar que o diálogo proporciona o encontro das alteridades, das diferenças, sendo imprescindível para a construção do conhecimento, visto que ao ser por, justapor e contrapor pessoas de posturas e idéias distintas cria-se a possibilidade de alargar o horizonte do conhecimento. Neste sentido, a sacada genial de Paulo Freire nos coloca diante da perspectiva de reconhecer a necessidade de dialogar para aprender, dialogar para conhecer o mundo e os limites de nossa ação/criação.

Ao agirmos sobre o mundo e seus correlatos (homens e coisas) estamos diante do desafio de criar situações de transformação ou reprodução dos valores existentes. Criar é algo que motiva o homem a superar a sua realidade estabelecida e propor uma nova alternativa diante do que se encontra historicamente definido.

Assim, na escola cito dois modelos de atividades que se enquadram nesta perspectiva:

1. A interação professor e aluno: quando ocorre favorece o processo de ensino-aprendizagem. É necessário um vínculo afetivo para que se possa compreender as necessidades e o comportamento dos alunos, bem como suas limitações. Se há a valorização dos alunos, das idéias divergentes e soluções criativas para diversos problemas, e se é incentivado o surgimento de liderança entre os alunos, há um ambiente favorável ao aprendizado.

2. Seminários sócio-educativos: com a finalidade de garantir o protagonismo dos alunos na escola e na sociedade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Em suspenso


Por Carlos Henrique Carvalho

Após mais uma reunião da categoria, os professores decidiram votar pela paralização da greve que já durava mais de dois meses. Não me interessa agora questionar se o resultado da votação foi manipulado ou não. O fato é que os professores retornam às aulas nesta segunda ao mesmo tempo em que começa agora uma nova luta: a da negociação de melhroia para a carreira, encabeçada pelo cumprimento do piso salarial e a progressão funcional por titulação.
Diante de todo o desenrolar da greve que pude acompanhar atentamente, embora, não tão ativo como queria, por conta dos compromissos na universidade, tornei-me cético em relação ao desfecho positivo para os professores. Tenho sérias dúvidas se o piso será pago e se realmente haverá uma proposta satisfatória. Agora, só resta esperar, já que com a APEOC não se pode contar.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

No seio da luta


A charge de Newton Silva reflete com clareza problemas que tem afetado a vida de milhares de brasileiros. Com a copa do mundo, o Estado tem se ausentado em cuidar dos problemas mais urgentes e necessários. O que mais tem se falado nestes dias é a greve dos professores do Ceará. Enquanto os professores exigem dentre outras questões, o cumprimento do piso salarial de 1.187 aprovado pelo STF, os governantes afirmam que não tem recursos para cumprir as exigências necessárias. Contraditoriamente, o discurso do governo é o de valorizar a educação, que a cada dia se torna pior e mal afamada, de tal modo que o governador da capitania do Ceará veio com uma conversa estúpida de propor aos professores trabalhar por amor, como se os mesmos em sua maioria não fizesse isso.
Na assembléia geral, o coro dos professores é unânime quanto a permanência da greve e a necessidade de uma vitória que minimize as dores sentidas no menosprezo dos políticos que ignora as necessidades desta categoria fundamental para a existência da sociedade.
Hoje, o grito dos professores tem que ser ouvido por todos e sentidos numa intensidade transformadora que faça a educação aflorar como uma realidade no seio do nosso combalido país.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nota do SINDIUECE a respeito da greve


EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
A violência perpetrada pela polícia contra professores e estudantes acampados na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE) na quinta-feira, 29 de Setembro, expressa o estado de sítio em que vivemos. O governador Cid Gomes e seus(!) deputados têm adotado, continuadamente, uma postura truculenta e antidemocrática no tratamento das críticas, principalmente quando se trata dos servidores públicos, do movimento sindical e social do nosso estado. Esta postura levou o governador a mandar(!) o poder legislativo aprovar tediosa lei que estabelece um raio de 40 quarteirões em volta do Palácio da Abolição como área de segurança que pode ser interditada sempre que o governo quiser, legalizando seu medo e desprezo para com as lutas do povo cearense. A conjugação da força bruta com artificiosas manobras legais e midiáticas para conter o conflito convive, harmoniosamente, com a corrupção e os esquemas de enriquecimento ilícito amplamente denunciados no caso dos banheiros e dos empréstimos consignados dos servidores, ambos envolvendo figuras centrais do governo.
A arrogância governamental e sua predileção pelo desrespeito às leis do País são as verdadeiras culpadas pela greve dos professores da rede estadual e pelos transtornos decorrentes. Mesmo tendo sido derrotado na ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) contra a lei que institui o Piso Nacional Docente, o governo insiste em não cumpri-la integralmente e propõe um ajuste que praticamente destrói a carreira dos mestres, com prejuízos inestimáveis à qualidade da educação pública.

Estes fatos põem em risco o futuro da educação pública no Ceará e a própria democracia. Pois se o governo quer impor uma estrutura de cargos e carreira sem dialogar com os professores, que são os sujeitos imediatamente implicados; se trata o amplo movimento de estudantes e professores como caso de polícia; se a imensa maioria dos deputados resolve atender, em regime de urgência, ao mando do governador, em detrimento do clamor de milhares de trabalhadores e estudantes... Estes são sinais claros de um regime de exceção que ameaça os direitos fundamentais de cidadania, democracia e liberdade.

Por isto, a diretoria da Sinduece repudia veementemente a conduta que o governo e a Assembléia Legislativa têm adotado para com a greve dos professores e coloca-se ao lado dos mestres e alunos que sustentam o movimento bravamente.

Ao mesmo tempo, convoca os professores da UECE a participarem do ato/passeata do movimento grevista que ocorrerá segunda-feira, dia 03 de Outubro, saindo da Assembléia Legislativa às 14 horas até o Palácio da Abolição.
SOMOS TODOS PROFESSORES E ESTUDANTES!

PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE!

EM DEFESA DA DEMOCRACIA!


DIRETORIA DA SINDUECE


“Por trabalho digno, autonomia e democracia na universidade”

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Uma trágedia sem verso nem prosa




As imagens acima dizem muito. Professores do Estado do Ceará, em greve há quase 50 dias tem sido tratados da forma mais cruel e desumana pelo governador da "capitania".
O único fato positivo (é possível?) foi que o movimento grevista do interior que havia desistido da luta, voltou com força total. Ou seja, o governador pode ter ajudado a moldar o movimento grevista mais forte da história desse estado, que segundo o governante, é pobre, mas tem dinheiro para construir um inútil aquário e equipar a polícia com aparatos de luxo.
Hoje, tive que dar aula na Universidade (que não está em greve) fugindo de questões metafísicas, mas me concentrando precisamente numa abertura, num diálogo para fora da sala de aula, isto é, trabalhando a profunda necessidade de quando e como os alunos podem se engajar nesta luta, que não é simplesmente a de uma categoria tão massacrada como a nossa, mas de toda a sociedade.
O clamor aumenta a cada dia e se descobre a real urgência em dar uma atenção maior a educação. Porém, a posição do governador é no mínimo desastrosa e absurdamente prejudicial a formação de milhares de jovens, visto que ele vem literalmente destruindo a carreira do docente, impedindo o professor de melhorar a sua formação, bem como de lutar por um direito legítimo, justo e declaradamente legal.
A melhoria da educação passa por uma luta penosa de suor, sangue e lágrimas. Deixo aqui meu apoio aos professores agredidos de forma covarde e gratuita que lutam por um futuro melhor.
A LUTA CONTINUA, ATÉ A VITÓRIA!!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A retomada da greve


Está cada vez mais complicado ser professor. O governador da "capitania" do Ceará (Coronel Cid Ferreira Gomes) vem tentando de todas as formas acabar com a greve justa e legítima dos professores. Tenta também destruir literalmente o PCC's conquistado a custa de muito suor e lágrimas. Mas não vai conseguir enquanto estes triunfarem nos seus direitos. Os professores acampam neste momento na Assembléia Legislativa fazendo greve de fome e pressão política na defesa dos seus interesses. Assim, está em jogo a valorização do magistério e o resgaste da dignidade do professor.
Em nota, o sindicato APEOC convoca a todos para participarem desse momento histórico de luta e engajamento em prol da educação.
http://www.apeoc.org.br/capital-e-interior/4047-o-sindicato-apeoc-conclama-a-categoria-para-retomar-a-luta-com-toda-sua-forca.html
Sobre a greve de fome clique em:
http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2011/09/28/noticiafortaleza,2306277/professores-estaduais-ocupam-assembleia.shtml

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Greve: o poder de decidir

Após mais uma assembléia ocorrida nesta sexta, os professores do Estado do Ceará decidiram seguir firme e forte, mantendo a greve que já dura 36 dias. Segundo o Secretário Jurídico do Sindicato dos Professores do Ceará (APEOC), Sérgio Bezerra, na próxima quarta, dia 14 será realizado ato público na Praça do Ferreira onde os professores vão ministrar aulas de cidadania. Já na sexta-feira (16), a categoria se reúne em nova assembleia, às 8h, para decidir os rumos da greve.
Aos poucos, os professores vão dando o exemplo de que não se pode esmorecer numa luta, sem uma conquista significativa para a classe. Também não se pode ceder as ameaças sem tréguas daquele que já deixou claro a sua profunda antipatia e o vil desprezo com a figura dos professores. Enquanto o governa-dor continuar tratando os professores como refugos do sistema, tentando confundir ou ameaçar o direito legítimo e justo de se fazer greve, toda luta torna-se não apenas necessária, mas questão de honra para uma classe tão combalida neste país "rico", mas repleto de misérias e mazelas criadas por inúmeras oligarquias que conduziram o Estado às más adminstrações.
Por isso, a melhor forma de se manifestar é protestando sempre contra os desmandos de quem deveria cumprir o que a Lei já nos assegurou.
PROFESSORES DO ESTADO, FORÇA SEMPRE!!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Negatividade que repercute

Enquanto isso, os professores do Estado fazem uma greve legítima que o governa-dor insiste em querer o fim. Para onde iremos com este tipo de figura pública? Já passou da hora de acabar com este tipo de postura, que arrota arrogância e soberba.
Com isso, quem perde é a educação de um modo geral. Está cada vez mais difícil ser professor, uma profissão que desgasta o homem e relega a sua condição a situações vexatórias diante da sociedade.
Por isso, não se pode ficar calado diante de agressões constantes, de rajadas de impropérios dirigidas contra aquele que leciona e forma a consciência do nosso país. Não se pode aceitar o jugo de ímpetos enlouquecedores daqueles que não estão nem aí para o professor. Os problemas da educação aumentam a cada instante em que o professor é esquecido pelo poder público. Temos que resgatar com urgência a dignidade, antes que ela se perca de vez nas poeiras da história.
Esta luta é de toda a sociedade, porque com bons professores podem surgir melhores cidadãos e consequentemente formar uma sociedade menos individualista, mais justa e engajada nos problemas do seu tempo.
Força aos professores do Ceará, que sua luta sirva de exemplo para um Brasil que quer crescer, mas sem esquecer a educação.

MANIFESTAÇÃO NA PRAÇA DA IMPRENSA: QUINTA-FEIRA (01/09) A PARTIR DAS 8 DA MANHÃ. VAMOS À LUTA!!!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A greve continua, firme e forte


Hoje, 29/08, em Assembléia, os professores do Estado do Ceará decidiram pela manuntenção da greve iniciada há 24 dias. mesmo contra a decisão do desembargador Emanuel Leite Albuquerque, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) que determinou a ilegalidade da greve. De acordo com a decisão, os professores deveriam retornar às atividades em até 48h, sob pena do pagamento de multa de até R$10 mil por dia de descumprimento. Porém, houve uma corrente unânime que defende a permanência da greve.
Nós, professores, temos que continuar apoiando todo e qualquer movimento que lute pela melhoria da classe trabalhadora, sobretudo, o da educação. O mais lamentável é ver que o governa-dor do mal continua claramente sua campanha contra os professores, tentando passar por cima de tudo e todos.
A charge de Newton Silva espelha bem este momento vivido por todos os professores do Brasil, em especial, do Estado do Ceará.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A luta dos professores

Por Carlos Henrique Carvalho

Continua a greve dos professores da educação no Estado do Ceará. A luta da categoria não pode parar, mesmo diante de pressões draconianas promovidas pelo poder vigente. Enquanto isso, o governa-dor da capitania do Ceará, deita e rola para não cumprir o que determina a lei.
A charge do cartunista Clayton nos dar um mote para pensar como o governa-dor pensaq e age em relação a educação.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cadê o piso?


Por Carlos Henrique Carvalho

Governa-dores, cadê o piso dos professores? Os professores querem o cumprimento o pagamento do valor do piso sobre o vencimento inicial de suas respectivas carreiras e a garantia de que os professores com habilitações acima do nível médio continuem recebendo salários diferenciados, ou seja, que as carreiras não sejam destruídas para poder pagar o piso.
Os salários dos professores são, em média, apenas 65% dos salários de outros profissionais de igual formação universitária, situação que desestimula as novas gerações a abraçarem o magistério como profissão.
Infelizmente, esta é a realidade: todos precisam ir a luta para garantir um direito sacramentado, mas que não é pago. Se as metas traçadas pelo PNE [Plano Nacional de Educação] forem cumpridas até a próxima década, o Brasil precisará contratar pelo menos 250 mil novos professores.
Caso as metas que dizem respeito aos professores também sejam cumpridas, ao final de dez anos todos os professores terão um curso superior e metade deles pelo menos uma especialização. Tudo isso significa mais necessidade de oferecer carreiras profissionais atrativas e estimulantes. Pois enquanto isto não acontecer teremos um país cada vez mais combalido e explorado.

domingo, 17 de outubro de 2010

A lei do piso dos professores

Por Carlos Henrique Carvalho

Deu no Jornal O povo do dia 17/10/2010

Há dois anos, no dia 16 de setembro de 2008, foi sancionada a lei que garantia um piso nacional para os professores de escolas públicas. Ela determinava que a partir de janeiro de 2010 nenhum profissional poderia ganhar menos do que R$ 950 por mês, valor corrigido atualmente para R$ 1.024. Mas uma disputa judicial complicou a implantação da lei, que ainda não é realidade em todo o País.

“A gente pode dizer que 99% dos estados não pagam o professor de acordo com a forma como a lei foi aprovada”, aponta, em tom de lamentação, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.

Um dos principais pontos da lei contestado por secretarias de Educação é a diferença entre o conceito de piso e remuneração. O texto coloca o valor de R$ 1.024 como vencimento inicial. Na avaliação da categoria, não poderia ser incluído no cálculo qualquer tipo de gratificação ou adicional. Mas os estados querem que a conta inclua todos os adicionais.

O que penso a respeito? Que os inimigos do piso são os governantes que se recusam literalmente a cumprir o que já foi declarado constitucional. Infelizmente, alguns deles foram eleitos e vão continuar seu projeto de afundar cada vez mais a educação no país. Nós, professores, só temos a lamentar que esta situação continue se arrastando por muito tempo sem expectativa de um desfecho otimista. Portanto, o professor não tem nada a comemorar, mas precisa urgentemente sair do marasmo em que se encontra a fim de brigar por direitos fundamentais a sua vida social.

Para ler mais, acesse:

http://www.opovo.com.br/app/opovo/brasil/2010/10/16/noticiabrasiljornal,2053479/dois-anos-depois-lei-ainda-nao-e-uma-realidade-nacional.shtml

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Notícia da semana: E o salário do professor?


Salário de professor no Brasil é o 3º mais baixo do mundo.

Segundo a OIT e UNESCO o professor brasileiro recebe o terceiro pior salário do mundo, e tem as turmas com o maior número de alunos.

Na Alemanha, um professor com a mesma experiência de um brasileiro, ganha, em média, US$ 30 mil por ano, mais de seis vezes a renda no Brasil. No topo da carreira e após mais de 15 anos de ensino, um professor brasileiro pode chegar a ganhar US$ 10 mil por ano. Em Portugal, o salário anual chega a US$ 50 mil, equivalente aos salários pagos aos suíços. Na Coréia, os professores primários ganham seis vezes o que ganha um brasileiro.

Com os baixos salários oferecidos no Brasil, poucos jovens acabam seguindo a carreira. Outro problema é que professores com alto nível de educação acabam deixando a profissão em busca de melhores salários.

A OIT e a Unesco dizem que o Brasil é um dos países com o maior número de alunos por classe, o que prejudica o ensino. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o salário médio do docente do ensino fundamental em início de carreira no Brasil é o terceiro mais baixo do mundo, no universo de 38 países desenvolvidos e em desenvolvimento. O salário anual médio de um professor na Indonésia é US$ 1.624, no Peru US$ 4.752 e no Brasil, US$ 4.818, o equivalente a R$ 11 mil. A Argentina, por sua vez, paga US$ 9.857 por ano aos professores, cerca de R$ 22 mil, exatamente o dobro.

Fonte da notícia: Jornal do Commercio, 07/07/2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Professores às favas e educação também!

Por Carlos Henrique Carvalho

Costuma-se dizer que educação com qualidade começa com bons incentivos na área. No caso do nosso estado, pode-se falar em tudo, menos que haja investimento na educação. A começar pelo salário miserável do professor de Ensino Médio que ganha por aqui a "bagatela" vagabunda de R$ 1.327 por uma carga horária de 40 horas aulas. Ou seja, você passa 4 anos fazendo um curso de graduação, para no fim das contas ser bem sucedido num concurso público e receber um salário deplorável.
Em reportagem do Diário do Nordeste, Alagoas paga melhor aos seus docentes em início de carreira do que o Ceará. Lá, a categoria recebe pela mesma carga horária, R$ 2 mil. Já no Estado do Maranhão, o piso é de R$ 2,8 mil. Assim, de todos os estados do Brasil, o Ceará figura como o quinto pior pagador. Na postagem do dia 16 de março deste ano, falei sobre o descumprimento da lei do piso salarial para a educação que continua sendo questionado judicialmente pelos governantes.
A partir desta pesquisa posso indagar: como dar aula num lugar em que se é mal pago, mal preparado e pessimamente incentivado? Muitos dos problemas em sala de aula começa realmente pela remuneração ínfima (um pouco mais que dois salários mínimos), mas não reside somente nele. É possível encontrar muitas escolas sem a mímina condição de se ministrar aulas com problemas que vão desde a falta de material escolar até merenda e atraso no salário dos professores e funcionários.
É preciso ter muita coragem, passar por necessidade ou ser masoquista para assumir um cargo de professor na Rede Estadual de Ensino do Ceará.

Ps: A imagem foi retirada do site do diario do nordeste, da reportagem que questiona o quadro salarial dos professores no Ceará.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=763696


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cinco atividades sócio-educativas no Ensino Médio


Por Carlos Henrique Carvalho


Inicialmente é preciso destacar que a escola ainda não é um espaço democrático na construção do conhecimento, visto que o estudante precisa ser mais bem reconhecido como alguém fundamental para o efetivo exercício do ensinar-aprender. Neste sentido, infelizmente não é possível afirmar que a escola trata o aluno nem como sujeito, tampouco como alguém ativo dentro do sistema de ensino. Apesar dos educadores terem a função/missão de contribuir para a formação do processo de identidade, isto não vem ocorrendo a contento.
A escola carece de uma estrutura pedagógica capaz de se orientar por uma relação mais dinâmica, acolhedora e capaz de ouvir o que for preciso. No entanto, ainda que seja um espaço relacional que abriga alunos com diferentes idéias, culturas e modos de vida, ela precisa estabelecer melhor essa possibilidade de abertura para as diferenças existentes dentro dela e da comunidade na qual se encontra inserida. Creio que este seria um caminho para colaborar com o processo de construção da identidade dos educandos.
Nesse sentido acrescento cinco atividades educativas adequadas ao desenvolvimento do “status quo” do educando:
1. Criação de um enfoque disciplinar filosófico baseados na dramatização oral-textual através do teatro de situação, que visa reconhecer um determinado contexto social no qual os alunos se encontram inseridos (a violência, por exemplo) e estimulá-los a descobrirem porque e como o cotidiano de sua comunidade pode ser visto e (re) transformado.
2. Criar o cantinho da leitura (biblioteca) e da cultura na escola que terá a responsabilidade de criar oficinas, cursos, seminários voltados para o desenvolvimento intelectivo e humano dos alunos.
3. Construir um projeto sócio-cultural e educacional que envolva a comunidade na qual a escola esteja situada e mantenha uma política de premiações para formação de escritores, cordelistas, cantores, atores, atletas, etc.
4. Incentivo as gincanas matemáticas, culturais e esportivas como forma de preparar os alunos para o entendimento de raciocínio lógico e conscientizá-los da importância de cuidar da mente e do corpo.
5. Criação do projeto cultural (jornal do colégio) e do concurso de redação aberta para estimular a juventude a produzir e melhorar sua escrita e produção textual.
Assim, o papel do professor do Ensino Médio na melhoria do desempenho dos alunos deve passar pela compreensão de que também é responsável pelo péssimo nível do ensino e, logo, pelos índices negativos da educação brasileira. Só será possível falar em participação dos professores desse nível de ensino se houver um engajamento por parte deles, seja elaborando os projetos pedagógicos no sentido de melhorar a qualidade do ensino de ciências, matemática, português, filosofia, etc. seja construindo uma relação de afinidade com os membros da escola, inclusive, os alunos tomando noção do seu problema e tendo a condição de trabalhá-la melhor.

domingo, 18 de abril de 2010

A escola e suas atividades: o papel do professor

Por Carlos Henrique Carvalho

Inicialmente é preciso destacar que a escola ainda não é um espaço democrático na construção do conhecimento, visto que o estudante precisa ser mais bem reconhecido como alguém fundamental para o efetivo exercício do ensinar-aprender. Neste sentido, infelizmente não é possível afirmar que a escola trata o aluno nem como sujeito, tampouco como alguém ativo dentro do sistema de ensino. Apesar dos educadores terem a função/missão de contribuir para a formação do processo de identidade, isto não vem ocorrendo a contento.
A escola carece de uma estrutura pedagógica capaz de se orientar por uma relação mais dinâmica, acolhedora e capaz de ouvir o que for preciso. No entanto, ainda que seja um espaço relacional que abriga alunos com diferentes idéias, culturas e modos de vida, ela precisa estabelecer melhor essa possibilidade de abertura para as diferenças existentes dentro dela e da comunidade na qual se encontra inserida. Creio que este seria um caminho para colaborar com o processo de construção da identidade dos educandos.
Por sua vez, acrescento cinco atividades educativas adequadas ao desenvolvimento do “status quo” do educando:
1. Criação de um enfoque disciplinar filosófico baseados na dramatização oral-textual através do teatro de situação, que visa reconhecer um determinado contexto social no qual os alunos se encontram inseridos (a violência, por exemplo) e estimulá-los a descobrirem porque e como o cotidiano de sua comunidade pode ser visto e (re) transformado.
2. Criar o cantinho da leitura (biblioteca) e da cultura na escola que terá a responsabilidade de criar oficinas, cursos, seminários voltados para o desenvolvimento intelectivo e humano dos alunos.
3. Construir um projeto sócio-cultural e educacional que envolva a comunidade na qual a escola esteja situada e mantenha uma política de premiações para formação de escritores, cordelistas, cantores, atores, atletas, etc.
4. Incentivo as gincanas matemáticas, culturais e esportivas como forma de preparar os alunos para o entendimento de raciocínio lógico e conscientizá-los da importância de cuidar da mente e do corpo.
5. Criação do projeto cultural (jornal do colégio) e do concurso de redação aberta para estimular a juventude a produzir e melhorar sua escrita e produção textual.
Assim, o papel do professor do Ensino Médio na melhoria do desempenho dos alunos deve passar pela compreensão de que também é responsável pelo péssimo nível do ensino e, logo, pelos índices negativos da educação brasileira. Só será possível falar em participação dos professores desse nível de ensino se houver um engajamento por parte deles, seja elaborando os projetos pedagógicos no sentido de melhorar a qualidade do ensino de ciências, matemática, português, filosofia, etc. seja construindo uma relação de afinidade com os membros da escola, inclusive, os alunos tomando noção do seu problema e tendo a condição de trabalhá-la melhor.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dois questionamentos acerca da escola


Por Carlos Henrique Carvalho

Gostaria de iniciar minhas considerações com dois questionamentos: Em que sentido a realidade social contribui para definir as diretrizes pedagógicas da escola? Até que ponto a escola pode influir para transformar as condições sociais? Estas questões vêm à tona sempre que refletimos sobre o papel da educação na escola e na sociedade.
Desde a promulgação da LDB em 1996 que contempla na formação do educando a aquisição de conhecimentos básicos, a preparação científica e a capacidade de utilizar as diferentes Tecnologias às áreas de atuação. Propõe-se no nível do Ensino Médio a formação geral em oposição à formação específica o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e selecioná-las; a capacidade de aprender, de criar, de formular, ao invés do simples exercício de memorização.
Assim, a escola vem manifestando uma preocupação mais ampla em torno da organização pedagógica como elemento fundamental na construção de uma identidade sócio-educacional. Nesse ínterim, a organização pedagógica deve se pautar por um processo cíclico, criativo, formativo, integrador e renovador de análise, interpretação e síntese das dimensões que definem a Instituição.
Daí que o ser humano é um corpo consciente, capaz de conhecer a realidade, interagindo com os seus iguais e diferentes. Neste contexto, inteligência significa muito mais que um ato solitário. Implica cada um tornar-se melhor, contudo em nome de propósito cada vez mais solidários e criativos. Vivemos numa sociedade em que os homens privilegiam alguns princípios e idéias que nos desafiam a constantemente refletir e repensar o cotidiano. Portanto, o processo de conscientização sempre se realiza em seres humanos concretos, inserido em estruturas sociais, políticas e econômicas.
Por isso, não somente o nosso trabalho de docente deve estar envolvido no processo cíclico de organização pedagógica, mas quando a gente compreende a necessidade de adequar aos conteúdos da escola, a dimensão humanística, técnica científica, política, social, colabora também quando se preocupa em desenvolver no aluno uma liderança mais criativa e solidária, inserindo este aluno no mundo real e complexo, fazendo-o compreender que as mudanças estruturais também necessitam da participação dele, pois defendo a idéia de que a escola não é o lugar para domesticar ninguém, mas um espaço para a construção da cidadania.

domingo, 11 de abril de 2010

Por que precisamos avaliar o ensino?


Por Carlos Henrique Carvalho

A imagem em destaque foi utilizada numa das aulas do modulo de Didática Geral do curso de capacitação e construi o seguinte texto a respeito do papel da avaliação no ensino:
Inicialmente é preciso evidenciar que as imagens representam contextos históricos distintos: há uma diferença temporal de 40 anos entre a primeira e a segunda imagem. Nesse sentido, destaca-se uma mudança de paradigma sócio-cultural e comportamental caracterizado por dois fatores: transição de valores e inversão de responsabilidade.
No quadro de 1969, o aluno é repreendido pelos pais e no quadro seguinte os pais repreendem o professor. Nesse caso, o professor de autoridade reconhecida e valorizada perde a credibilidade diante dos pais que o culpam pelas notas baixas do filho. Ora, fica claro que há uma mudança brutal entre as imagens no que tange a responsabilidade do professor para com o processo educacional do aluno. No entanto, o que não se verifica de modo algum é a responsabilidade dos pais para com a educação do filho. Em outras palavras, a transição de valores e a inversão de responsabilidade atingem somente professor e aluno, como se os pais fossem meros agentes passivos no processo de educação do filho.
Sem dúvida, é desolador constatar como a autoridade do professor se encontra em xeque, servindo para que a transmissão da culpa pelo fracasso do ensino recaia somente em sua figura. Esses problemas fazem com que seja sumamente necessário rever a polêmica relação existentes entre avaliação e aprendizagem.
Por isso, o papel da avaliação é sumamente necessário para justificar a validade de qualquer projeto desenvolvido na educação e sua melhor qualificação no tocante ao conhecimento. É inegável, pois que a avaliação seja um estímulo à produção na pesquisa, visto que os alunos tendem a valorizar sua prática rumo ao processo de qualificação constante.
Hernandez (1998) em sua obra “Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho” identifica três fases no processo de avaliação dos alunos que são:
1. Avaliação inicial que busca compreender as virtudes e as deficiências do aluno de modo que seja possível trabalhar metodologias mais apropriadas à melhoria no nível de aprendizagem.
2. Avaliação formativa: neste momento, busca-se o progresso no aprendizado através da composição do conhecimento que por sua vez se dá pelos métodos de ensino constantemente trabalhados e aperfeiçoados quando se evidencia a aprendizagem.
3. Avaliação recapitulativa: um retorno às coisas mesmas que foram trabalhadas no decorrer do projeto, o que mostra a capacidade de rever e avaliar o que de positivo ou negativo foi construído ao longo do processo. Em outras palavras, busca-se compreender o momento da maturação da aprendizagem, isto é, o quanto o aluno adquiriu as habilidades propostas a partir das situações de ensino-aprendizagem.
Assim, o SPAECE como medida de avaliação censitária e universal do sistema de ensino como um todo (o que avaliar?), orientada pelos PCN e RCB possui a finalidade de verificar o nível de proficiência e a evolução do desempenho dos alunos (para que avaliar?). Nesse sentido, a escola, o professor e o aluno (quem é avaliado?) passam pelo processo de avaliação de modo que ajudem a tornar plausível o andamento da educação pública. Por outro lado, é preciso admitir a necessidade desse processo de avaliação ocorrer de forma permanente, contínua ininterrupta e constante (quando avaliar?), pois ao se utilizar de instrumentos diversos (como avaliar?) com base na Matriz de Referência (o conteúdo programático o nível de operação mental necessário para a realização das tarefas) pode-se obter resultados concretos no nível de ensino e, assim, traçar metas e executar ações para que o ensino seja melhorado.

terça-feira, 16 de março de 2010

Derrota da educação


Por Carlos Henrique Carvalho

Que o Brasil desvaloriza a profissão de professor, isto não é novidade para ninguém. O fato que mais desestimula um futuro professor da educação básica a seguir carreira é descobrir que será mal pago, pois o professor possui o menor teto salarial dentre todos os profissionais com nível superior.
Mesmo com a aprovação do piso salarial nacional para o magistério da educação básica discutido e definido juridicamente e sancionado pelo presidente Lula através da Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008, os governantes insistem em continuar pagando abaixo do piso.
Segundo o site ação educativa:
“Após ser sancionada, porém, a referida Lei teve sua constitucionalidade questionada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 4167 (ADI 4167), promovida por governadores de cinco estados – Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os governadores questionaram na ADI alguns aspectos que delimitam a forma de implementação do piso: (i) a menção à jornada de 40 (quarenta) horas semanais; (ii) a forma de composição da jornada de trabalho, garantindo-se no mínimo 1/3 (um terço) da carga horária para a realização de atividades de planejamento e preparação pedagógica; (iii) a vinculação do piso salarial ao vencimento inicial das carreiras dos profissionais do magistério da educação básica pública; (iv) os prazos de implementação da lei; e (v) a própria vigência da Lei”.
Em suma, os governantes dos Estados citados não querem pagar o que é de direito de todos os professores. Hoje tivemos na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, um debate acerca da revisão dos PCCR do magistério da educação básica da rede pública e somente uma palavra pode expressar o que sinto neste momento: decepção.
Ontem, 15 de março foi o dia da escola. Hoje, estou decepcionado por ser professor.

A interessante matéria sobre o piso salarial dos professores pode ser visualizada em:

http://www.acaoeducativa.org.br/portal/index.phpoption=com_content&task=view&id=1636&Itemid=2