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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Luta e vitória


Enfim, após alguns dias de espera, saiu o resultado final do Edital IV do Concurso para professor efetivo da UESPI. Uma espera marcada pela ansiedade que se soma agora a nova perspectiva de viver uma mudança bruscamente radical: mudar de casa, cidade, cultura. Sair de uma metrópole e todas as confusões inerentes e ir de encontro a um local sem aquela correria maluca do dia a dia, mas de muito trabalho.
Passar num concurso público é sempre uma luta árdua e exaustiva porém, compensadora pelos esforços despendidos. Lembro bem quando cheguei a Oeiras no dia da prova escrita com mais de duas horas antes do início, sem ter almoçado e vivenciado um calor infernal. A todo momento mantive a tranquilidade e a certeza de ter me preparado bem para encarar este desafio, agora vencido.
Agora é se preparar para o processo de mudança que se aproxima.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Debate do filme "Os amantes do Café Flore"








Nesta quinta (14/04), tive a grata oportunidade de debater o filme "Os amantes do Café Flore" na companhia dos professores Eliana Paiva (UECE), Thomas Mastronardi (Zurich) e André Barata (Universidade da Beira Interior (UBI-Portugal). além disso, durante o debate tivemos a presença de estudantes e curiosos interessados em conhecer a vida do casal Sartre e Beauvoir.


As fotos são de cima para baixo:
1.Bastidores: Professores André Barata e Carlos Henrique Carvalho
2.Professor Carlos Henrique Carvalho
3. Professora Eliana Paiva e Professor André Barata
4. Professores Thomas Mastronardi, Eliana Paiva e André Barata
5. Apresentador e produtor do programa Márcio Acserald, professores Carlos Henrique e Thomas Mastronardi
6. Professora Eliana Paiva sendo preparada pela equipe técnica do programa.

domingo, 3 de outubro de 2010

Claude Lefort


O filósofo francés Claude Lefort (foto), pioneiro na denúncia dos totalitarismos, faleceu hoje, dia 3 de outubro, aos 86 anos. Colaborador da revista Les Temps Modernes até entrar em choque com Sartre pelo compromisso deste último com os comunistas e cofundador, junto com Henri Lefebvre e Cornelius Castoriadis, do Socialismo ou Barbárie, desde jovem esteve próximo ao marxismo, influenciado por seu mestre Maurice Merleau-Ponty.
Nascido em 1924, Claude Lefort era doutor em filosofia, lecionou na Universidade de Caen e tornou-se diretor na Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais francesa. tendo também dado aulas na Sorbonne e na Universidade de São Paulo. Sempre crítico à antiga União Soviética e sua estrutura, foi marxista e trotskista, mas acabou afastando-se progressivamente de tais correntes. Fundou, junto com Cornelius Castoriadis, a revista e o movimento ‘Socialismo ou Barbárie’ (1948-1965), ligados ao libertarismo socialista. Escreveu também para a importante revista cultural Les Temps Modernes e dedicou grande parte da sua obra à análise do fenômeno totalitário e das carências da democracia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

50 anos de Sartre no Brasil


Por Carlos Henrique Carvalho
Retirado do site da UECE (www.uece.br)

Para celebrar o cinquentenário da passagem do filósofo francês Jean-Paul Sartre pelo Brasil e do lançamento do seu livro “A crítica da razão dialética, o Grupo de Estudos Sartre (GES) do curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará (UECE) vai realizar de 28 a 31 de julho, o III Seminário do Grupo de Estudos Sartre. O evento acontecerá no Centro de Humanidades (CH) da UECE – Campus de Fátima – na Avenida Luciano Carneiro, 345, bairro de Fátima.

O III Seminário do Grupo de Estudos Sartre é aberto ao público e os interessados já podem se inscrever, no hall de entrada do CH, no horário das 9h às 12h e das 18h às 20h. Os participantes não residentes no Ceará devem agendar as inscrições através do e-mail sartre@uece.brEste endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. . A taxa é de R$ 15,00, que pode ser paga no dia da abertura do seminário e com direito a pasta, bloco de notas, caneta e a revista “Cadernos Sartre”.

O evento pretende fazer um resgate histórico, político e artístico do pensamento sartreano no período compreendido, principalmente, entre a década 1960-1970, quando Sartre visita o Brasil, de norte a sul, durante dois meses juntamente com a sua companheira Simone de Beauvoir. Para uma temporada de dois meses, Sartre e Simone chegaram ao Brasil, em agosto de 1960, e no dia 31 deste mesmo mês, dava a sua primeira entrevista à imprensa brasileira. Jean-Paul Sartre veio ao Ceará e visitou, inclusive, a Universidade Federal do Ceará (UFC), sendo recebido pelo Reitor Antônio Martis Filho. Nesse evento, os diferentes acontecimentos da vida de Sartre, como o pensamento existencialista e marxista do filósofo francês será exaustivamente debatido.


O convite para visitar o Brasil partiu do escritor baiano Jorge Amado e de alguns intelectuais brasileiros. Na mesma época, ou seja, em 1960, Sartre lançaria o seu livro “A crítica da razão dialética”. O GES, com a realização do III Seminário do Grupo de Estudos Sartre comemora os cinqüenta anos da vinda do filósofo ao Brasil e o lançamento de seu livro.

O filósofo, romancista e dramaturgo francês nasceu em Paris, no dia 21 de junho de 1905, e morreu aos 74 anos, no dia 15 de abril de 1980. Jean-Paul Sartre é um dos maiores nomes da filosofia existencialista do século XX, que tem como instrumento de conhecimento a existência do ser no mundo.

Segundo a comissão organizadora, a programação do seminário consta de conferências realizadas por professores renomados, mesas redondas, minicursos, oficinas de arte, lançamento da revista “Cadernos Sartre 3”, espetáculo de dança, música e teatro, café filosófico, comunicações de estudantes de graduação e de pós-graduação.

sábado, 8 de maio de 2010

Evento dedicado a Sartre


Por Carlos Henrique Carvalho


Informe de evento


O evento dedicado a acolher com comentários os 50 anos da passagem de Sartre pelo Brasil em 1960 será realizado no Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE) em Fortaleza, no período de 28 a 31 de julho de 2010 e será promovido pelo Grupo de Estudos Sartre (GES-UECE). Neste evento, pretende-se fazer um resgate histórico, político e artístico do pensamento sartriano no período compreendido entre a década 1960-1970 quando ele visita o Brasil do norte ao sul, durante dois meses juntamente com a sua companheira Simone de Beauvoir. O convite havia sido feito por Jorge Amado e alguns intelectuais brasileiros e ficou marcada pela Conferencia de Araraquara em São Paulo. É importante ressaltar que neste ano também se comemora o cinquentenário de publicação do seu segundo grande trabalho filosófico, A crítica da razão dialética.Ao mesmo tempo em que lamentamos os 30 anos sem a sua presença marcante, polêmica e polemizante, relembramos o seu legado diverso e divergente que alcançou prestigio e levantou a bandeira do pensamento existencialista e marxista.



terça-feira, 27 de abril de 2010

50 anos de sartre no Brasil


Por Carlos Henrique Carvalho

Já iniciamos as comemorações de 50 anos pela passagem do casal Sartre-Beauvoir pelo Brasil em 1960.
Em breve, o Grupo de Estudos Sartre começará a organizar o evento dedicado a relembrar esta passagem, bem como divulgar pesquisas e estudos a respeito dos escritores existencialistas.

AGUARDEM!!

Na imagem, Sartre e Simone na praia de Copacabana – Rio de Janeiro em 1960.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília 50 anos


Por Carlos Henrique Carvalho

Para não passar batido a respeito dos 50 anos da fundação de Brasília, escolhi pegar relatos da escritora feminista Simone de Beauvoir no seu diário brasileiro, relatos escritos em 1960, quando da sua passagem pelo Brasil juntamente com o companheiro Jean-Paul Sartre. Suas considerações acerca da capital federal me parecem muito elucidativa e espelha melhor o que penso e reflito acerca da cidade artificial do que qualquer informação da mídia globalizada.

A caminho da capital:
Niemeyer prometera enviar-nos de Brasília uma perua e um motorista — ninguém apareceu, a viagem começava mal... Enfim, o carro surgiu, conduzido por um homem de bigodes… No caminho, compreendemos a razão de seus atrasos. A mala do carro estava cheia de relógios e jóias. Acumulava as funções de motorista e de polícia, o que facultava frutuosos contatos com um tipo de trabalho muito importante no Brasil: os contrabandos. Confiscava-lhes, ou comprava-lhes a preço baixo suas mercadorias, que os habitantes de Brasília, isolados do mundo, adquiriam a preços caríssimos...
Brasília:
À noite, enfim, chegamos a Brasília. Uma maquete em tamanho natural. Essa falta de humanidade salta logo aos olhos… Só se pode circular de automóvel… A rua, esse lugar de encontro entre moradores e turistas, lojas e residências, sempre imprevistas — a rua, tão cativante em Chicago como no Rio, por vezes deserta e sonhadora, mas cujo silêncio é vivo. A rua em Brasília não existe nem existirá.
Palácio da Alvorada:
Muito longe, no mínimo a 10km, ergue-se o Palácio da Alvorada, onde reside o presidente... Em um lago, duas ninfas de bronze ocupam-se em se pentear: dizem que elas representam as duas filhas de JK arrancando os cabelos porque relegadas a Brasília.
Juscelino Kubitschek:
Tivemos com ele, em seu gabinete, uma breve conversa, bastante formal. Ele encara Brasília como obra sua, pessoal. Na Praça dos Três Poderes há um museu consagrado à história da nova cidade. Dir-se-ia uma escultura abstrata; simples, inesperado e muito belo; infelizmente, de uma das paredes, surge, em tamanho maior que o natural e verde, a cabeça de Juscelino.
Cidade livre:
A impressão é de uma cidade do faroeste...a calçada é uma confusão; pisam-nos os pés, a poeira avermelha nossos sapatos, entra em nossos ouvidos, irrita nossas narinas, arranha nossos olhos, o sol nos castiga. No entanto, nos sentimos felizes, porque nos reencontramos na terra dos homens.
Risos:
Freqüentemente acontecem incêndios; a madeira, naquela secura, inflama-se com rapidez; pouco antes de nossa chegada um quarteirão pegara fogo; não houve vítimas, mas viam-se, por toda parte, escombros, destroços, móveis enegrecidos, sucata, colchões rasgados. Esquecíamos, porém, essa tristeza, vendo pelas ruas, da Cidade Livre os candangos abraçando-se e rindo. Eles não riam em Brasília.
Mito ou monstro
Jorge Amado reconhecia que Brasília era um mito...Guardo a impressão de ter visto nascer um monstro, cujo coração e pulmão funcionam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Minicurso Sartre


Por Carlos Henrique Carvalho

Durante os dias 21 e 22 de janeiro, estarei apresentando juntamente com os membros do GES-UECE, no Encontro Nacional dos Estudantes de Filosofia em Fortaleza (ENEFIL), o Minicurso A CRÍTICA FENOMENOLÓGICA DE SARTRE À PSICOLOGIA E SUAS POSSÍVEIS REPERCUSSÕES NA EDUCAÇÃO.
Qualquer informação a respeito pode ser obtida por meio do blog:


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Debate do filme O menino do pijama listrado

Por Carlos Henrique Carvalho

Segundo e-mail recebido do coordenador do programa:
"O Cineclube UNIFOR é uma atividade de extensão universitária que visaformar platéia para o cinema e o debate. Ele funciona há cinco anos, sempre às quintas feiras as 13:30 na sala A da videoteca da UNIFOR (Centro de convivência, segundo andar). Todos são convidados afreqüentar e a entrada é franca. Buscamos exibir filmes com temáticasvariadas, com dois convidados participando dos debates que se seguemàs exibições. Os filmes são sugeridos pelo debatedor ou escolhidospelo coordenador, professor Marcio Acselrad. Estamos sempre abertos as ugestões e buscamos estimular a participação de professores dos diversos cursos da UNIFOR e de fora. O Cineclube UNIFOR conta também com um programa na TV universitária (Canal 14 da Net) e na TV Ceará (sábado as 11hs e quinta feira as 18hs) em que são exibidos os debates intercalados com cenas dos filmes exibidos".
O filme em questão foi escolhido por mim e será debatido juntamente com o advogado Internacional Thomas Mastronardi. Assim, convido a todos os interessados a assistirem e acompanharem o debate do filme "O menino do pijama listrado".

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss e a herança de um pensamento para o século XXI


Sobre Claude Levi Strauss, falecido em 31/10/2009 aos 100 anos.
Noticia retirada da AFP

PARIS, França — Claude Lévi-Strauss mudou nossa percepção de mundo ao estabelecer as bases da Antropologia moderna, e influenciou gerações de cientistas que dão continuidade a sua obra.

Desde os anos 1950 e depois da publicação de sua tese sobre "As estruturas fundamentais de parentesco" (1949), Lévi-Strauss implementou um novo método de análise, que passou a ser ferramenta comum dos antropólogos, especialmente na França.

O "parentesco" - ou seja as regras de aliança, filiação, residência ou transmissão nos povos - é o eixo da Antropologia, que estuda o homem em sua dimensão social.

"O grande tema da Antropologia é a variação entre as diferentes culturas. Por que há culturas diferentes?", resume Anne-Christine Taylor, especialista em culturas indígenas da Amazônia e ex-aluna de Lévi-Strauss.

"Para esta questão, ele contribuiu com uma abordagem totalmente nova, partindo do pressuposto de que há uma ordem por trás das diferentes culturas. Não ocorre ao acaso. Não é simplesmente a história que torna as sociedades diferentes, e menos ainda as diferenças genéticas e outras, como se acreditava no século XIX", acrescenta.

A transformação dessa intuição em uma disciplina constituiu o Estruturalismo, do qual Claude Lévi-Strauss é considerado fundador.

Em meados dos anos 1950, a publicação de "Tristes trópicos" (1955) consagrou sua reputação internacional.

O livro, de grande qualidade literária, o permitiu ter acesso a um público amplo, muito além da comunidade científica. E isso apesar de o estilo e o método de Lévi-Strauss terem suscitado questionamentos, em particular entre os cientistas anglo-saxões.

Titular da cátedra de Antropologia Social do Colégio da França a partir de 1959, o antropólogo formou uma primeira geração de alunos que, como Françoise Héritier, exploraram e prolongaram sua teoria de parentesco.

"Hoje, uma segunda geração continua enriquecendo a Antropologia, inspirando-se nas partes um pouco subterrâneas do pensamento de Claude Lévi-Strauss", afirma Anne-Christine Taylor, que dirige o Departamento de Pesquisa e Ensino do Museu do Quai Branly.

Cientistas como Emmanuel Desvaux, que estuda as populações indígenas da América do Norte, ou Philippe Descola, especialista em índios da Amazônia, são herdeiros de Lévi-Strauss. Mas o antropólogo influenciou também jovens cientistas brasileiros, como Eduardo Viveiros de Castro, que explora a fronteira entre Filosofia e Antropologia.

"Têm uma relação com a obra de Lévi-Strauss um tanto diferente da geração anterior, ao mesmo tempo mais crítica e muito fiel ao espírito de sua obra", ressalta Taylor.

O retorno de Lévi-Strauss foi promovido nos últimos anos por filósofos. Depois dos grandes debates que o opuseram nos anos 1960 a Jean-Paul Sartre, entre outros, Lévi-Strauss (catedrático de Filosofia em 1931) suscita um novo interesse como filósofo, humanista e esteta.

No centro dessa reflexão está o pessimismo de Claude Lévi-Strauss, que tinha obsessão pela explosão demográfica e pela ideia de que o mundo avança na direção equivocada.

Copyright © 2009 AFP. Todos os direitos reservados.

sábado, 31 de outubro de 2009

Palestra SESC Filsofia


Por Carlos Henrique Carvalho
"Precisamos colocar em suspenso, o dinheiro como motor do mundo..."
Na próxima quinta, dia 05/11 estarei debatendo a temática intitulada, A sociedade do medo, no projeto SESC Filosofia, direcionado ao público em geral, mas que tem como freqüentadores mais assíduos, os comerciários.
A escolha do tema a sociedade do medo é pessoal na qual elaborei uma serie de comentários tendo por base a filosofia de Zygmunt Bauman através da obra O medo liquido. Também mostrarei alguns exemplos clássicos de como essa sociedade do medo se afirma na mídia, cinema e música.
Quem se interessar em participar, o local da palestra é SESC (Rua Clarindo de Queiroz, 1740 – Centro, começa as 18 h e vai até as 21 h.

domingo, 6 de setembro de 2009

Agradecimento_Fenomenologia e arte 2009



Apos a realização do evento entre os dias 2 a 5 de setembro, que contou com a participação de conferencistas locais da UECE e nacionais da USP, UFPI e UFRB, além diversas mesas-redonda, de mostra de dança contemporânea, música, cinema em debate e o lançamento do segundo número dos cadernos Sartre posso colocar como positivo, o saldo final de mais um trabalho realizado pelo Grupo de Estudos Sartre (GES-UECE).

Apesar das dificuldades habituais na organização de um evento, a contribuição efetiva de todos aqueles que fizeram o colóquio acontecer foi fundamental para o sucesso do mesmo. Por isso, não poderia deixar de escrever esta mensagem de agradecimento a cada um desses incansáveis lutadores que ajudaram no que foi possível para que este evento tivesse êxito. Eis os nomes:
• Cristiane Marinho
• Eliana Sales Paiva
• Everton Barros
• Francisco Assunção
• Maurilene Gomes
• Paulo Marcelo
• Ravena
• Rummenigge Santos

Por fim, preciso também lembrar os apoios fundamentais que viabilizaram materialmente o evento.
• Banco do Nordeste
• Conselho Estadual de Educação do Ceará
• Direção do CH da UECE – Campus Benfica
• Livraria acadêmica
• Livraria Lua nova
• Núcleo de línguas da UECE
• PRAE E PROEX DA UECE


A todos aqueles que também contribuíram e que por algum motivo esqueci de incluir o nome, deixo meu agradecimento, cordial apreço e votos de muito sucesso.

Segue o video de encerramento do evento.

Por Carlos Henrique Carvalho

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Colóquio Fenomenologia e Arte


De 2 a 5 de setembro estarei trabalhando na organização do Colóquio Fenomenologia e Arte – Diálogo e criatividade que será realizado no Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE) em Fortaleza sob a chancela do Grupo de Estudos Sartre (GES-UECE). Neste evento, pretende-se fazer um resgate histórico, filosófico e artístico da fenomenologia e da arte no seio do diálogo e da criatividade ao mesmo tempo em que se dialoga a inserção da arte com a filosofia, mais especificamente a fenomenologia e as ciências humanas e vice-versa, bem como propor a problematização do sentido da existência da fenomenologia como ciência e método e da arte como elo fundamental que impulsiona a criatividade do ser humano.

Para saber mais veja no blog do evento
http://fenomenologiaearte2009.blogspot.com/

Por Carlos Henrique Carvalho

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um pouco sobre a fenomenologia de Husserl


“... aprende-se o que é fenomenologia passo a passo, através da leitura, discussão, e reflexão... O que é necessário é mais simples: aprender o que se deve através de atitudes naturais, tentar descrever as apresentações sem pré-julgar os resultados tomando por garantia a história, a causalidade, intersubjetividade, e valor que ordinariamente associamos com nossa experiência, e examinar com absoluto cuidado a estrutura do mundo da vida diária para que possamos entender sua origem e sua direção... Há um senso legítimo no qual é necessário dizer que se deve ser um fenomenologista para poder compreender a fenomenologia.” (NATASON, 1998)

1. O que é fenomenologia?
A fenomenologia é o método que faz a mediação entre o sujeito e o objeto ou, dizendo de outro modo, entre o eu e a coisa. A partir da perspectiva que se deseja emprestar à realidade, ou à coisa, se podem distinguir três grandes linhas na fenomenologia: a transcendental, husserliana, a existencial, a partir de Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty, e a hermenêutica, cujos representantes maiores seriam Hans George Gadamer e Martin Heidegger. Segundo Husserl (1859 – 1938), fenomenologia é qualificada como “um retorno às coisas mesmas”. Nesse sentido, compreende-se uma conversão do olhar que se lança habitualmente sobre as coisas e que implica não mais falar delas mediante a tela de uma teoria prévia. Doravante, toda doutrina será subordinada à representação de um objeto que somente meu espírito constituirá: não se trata mais de explicar nem de analisar as coisas, mas de descrevê-las. Assim, a fenomenologia é uma descrição da estrutura específica do fenômeno, aparecendo como condição de possibilidade do conhecimento na medida em que a consciência constitui as significações no nível da apreensão empírica ou da constituição transcendental dos objetos.
De fato, a compreensão do projeto fenomenológico husserliano depende de que se compreenda primeiro como o filósofo apresenta a estrutura da consciência enquanto intencionalidade. Este conceito oriundo da filosofia medieval significa dirigir-se para, visar alguma coisa. Alguns estudiosos atribuem a doutrina da intencionalidade à escolástica representado por Guilherme de Ockham, embora Husserl tenha atribuído sua patente a Franz Brentano.

2. A doutrina da intencionalidade: a subjetividade como ponto de partida e o objeto como ponto de chegada
A consciência é intencional significa que “toda consciência é consciência de“. Logo, a consciência não é uma substância (alma), mas uma atividade constituída por atos (percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc), com as quais visa algo. Assim, a consciência não é mais uma essência ou uma entidade, independente e abstrata, mas é seu próprio “conteúdo” que a funda. Em suas Investigações lógicas, Husserl deixava claro que “na percepção algo é percebido, na imaginação algo é imaginado, na enunciação algo é enunciado, no ódio algo é odiado, no desejo algo é desejado, etc.”. A afirmação de que a consciência não percebe no vazio, mas sempre a partir de alguma coisa corresponde a uma definição mais precisa desta como perspectiva. Perceber é ter uma intenção.
Husserl esforça-se por remontar a um cogito fundador de toda a filosofia e de todo saber. Após ter ido em direção aos fenômenos e ao termo da revelação de uma relação de reciprocidade entre a consciência e o objeto, trata-se de voltar ao sujeito pelo viés dos objetos que lhe são inerentes. Nesse sentido, é preciso colocar o mundo e todos seus correlatos em questão ou como disse Husserl: “pôr o mundo entre parênteses”.

3. Redução fenomenológica – epoquê.
Trata-se de uma operação pela qual a existência efetiva do mundo exterior é posta entre parênteses para que a investigação se ocupe apenas com operações realizadas pela consciência sem que se pergunte se as coisas visadas por ela existem ou não realmente. Em outras palavras, a redução é um conjunto de procedimentos metódicos que objetivam suspender tudo aquilo que está ou é dado. A redução diz Husserl, suspende “a tese natural do mundo”.(do grego thésis: posição, aceitação). A atitude natural é a atitude cotidiana de “tese do mundo”, ou seja, acredita-se espontaneamente que as coisas exteriores existem tais como são vistas; portanto, natural e espontaneamente “põe-se o mundo”. Pela redução, deixamos de dirigir o nosso olhar para os objetos tomados em si mesmos em seu ser inacessível (a mesa, a árvore, a cidade) para dirigir a atenção para os atos da consciência que nos permitem chegar até eles (nossa visão da mesa, nossa lembrança da árvore, nossa imaginação da cidade). A redução fenomenológica é uma conversão do olhar que nos permite chegar ao objeto vivendo-o segundo seu sentido para nós, segundo o valor que lhe atribuímos e sobre o qual não negamos nossa responsabilidade. A redução, articulada à suspensão, é antes um processo de encaminhamento, um método, do que um conceito ou parte de um sistema teórico. É preciso mesmo que se rejeite a imposição de qualquer sistema; tamanha seria a riqueza dos fenômenos que se afiguraria falta de retidão e lealdade anteceder a humilde interrogação dos fenômenos de um sistema que a priori controlasse a interrogação para melhor submeter o objeto da atenção e, portanto, do controle. Nicolai Hartmann chegou a afirmar: “nada pode ser de proveito senão a tendência de abeirar-se dos fenômenos de tão perto quanto possível, para aprender a vê-los na sua multiplicidade e para só depois retornar de novo às questões gerais”. Assim, a redução compreende dois procedimentos: uma redução eidética e uma redução transcendental.

3.1 Eidética – Idéias (eidos)
3.1.1 Noema – Objeto enquanto pensado
3.1.2 Noesis – Objeto enquanto tal: componente real.
Compreende uma técnica de variações livres de notas caracterizadoras dos processos individuais à essência desses mesmos processos – livres dos conceitos. No nível empírico, as noesis são atos psicológicos individuais para conhecer um significado independente. No nível transcendental as noesis são atos do sujeito constituinte que cria as noemas enquanto pura idealidades ou significações. Nessa medida, as noesis empíricas são passivas, pois visam uma significação pré-existente; as noesis transcendentais são ativas porque constituem as próprias significações ideais. Essas distinções permitem a Husserl elaborar a noção de ciência como conexão objetiva e ideal de noesis e noemas puros.

3.2 Transcendental – a existência das coisas é colocada em questão
Põe-se entre parênteses a crença na existência das coisas e na existência do mundo natural e de todos os seus correlatos. Por exemplo, o mundo dos seres matemáticos para alcançar o terreno firme da consciência pura em que o seu correlato que é o mundo se transforma em mero objeto intencional.

4. Como Husserl pensa o objeto?
4.1 Fático – Experiência. – O objeto está no mundo e não requer necessariamente a “força” da consciência para lhe dar sentido. É um puro fato.
4.2 Idéia – Intencionalizado pela consciência que através da linguagem explica ou dar o sentido ao objeto.

Referências Bibliográficas
BELLO, Angela Ales. Introdução à fenomenologia. Trad. Jacinta Turolo Garcia. Bauru: EDUSC, 2004.
DEPRAZ, Natalie. Compreender Husserl. Trad. Fábio dos Santos. Petrópolis: Vozes, 2007
HUISMAN, Denis. História do existencialismo. Trad. Maria Leonor Loureiro. Bauru: Edusc, 2001.
HUSSERL, Edmund. A Idéia da Fenomenologia. Lisboa: Edições 70, 1986.
____. La crisis de las ciências europeas y la fenomenología transcendental. Barcelona, España: Crítica, 1991
MURALT, André de. A metafísica do fenômeno. Trad. Paula Martins. São Paulo: Editora 34, 1998.
NATANSON, Maurice. Phenomenology and the Social Science. Volume 1.São Paulo: Natanson: Phenomenology and the Social Sciences.

Por Carlos Henrique Carvalho

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Grupo de Estudos Sartre (GES-UECE)



Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação.
Jean-Paul Sartre



Nascido em 21 de junho de 1905, Sartre viveu os momentos mais marcantes do confuso século com a primeira metade sendo intercalada por duas grandes guerras, pela crise do capital na quebra da bolsa em 1929, e na segunda metade com a guerra da Argélia, o colonialismo russo, americano, inglês e francês, a péssima condição dos operários das fábricas, a guerra do Vietnã, o anti-semitismo, o racismo etc. Foi a partir de todos esses eventos que ele construiu uma vasta trajetória de homem que nunca negou a responsabilidade de ser sujeito da sua história, bem como de personalidade permanente no mundo do pós-guerra, visto que nunca relaxou em se engajar ativamente para fazer frente aos problemas do seu tempo.

Autor de frases notáveis como: “O homem está condenado a ser livre”, “O inferno são os outros”, “A existência precede a essência”, enfim, de obras por uma filosofia da ação, do engajamento, da ética enquanto prática e da liberdade. Sartre destacou-se no cenário francês do pós-guerra, a partir de 1945 até o fim da vida, em 1980, deixando sua marca na história da filosofia pela expressividade do pensamento e por uma proposta de uma ética enquanto fundamentadora do nosso caráter de ser livre. Ao tomar conhecimento de sua morte há 28 anos ou mais precisamente, 15 de abril de 1980, numerosos meios de comunicação estamparam em seus jornais as seguintes manchetes sobre o autor de O ser e o nada, A náusea, Entre quatro paredes e tantas outras obras: “Jean-Paul Sartre está morto”, anuncia o jornal Liberation com a primeira página completa dedicada a ele, “Sartre está morto anuncia o Le Matin e com ele desaparece um dos raros homens verdadeiramente livres de nossa época”. “Um dos únicos homens honestos em meio a uma época terrível e turbulenta”. “Morte de Jean-Paul Sartre”, escreve o Le figaro enquanto relata todo o seu caráter e sua luta pela afirmação de um sujeito livre e autônomo.

Para conhecer um pouco mais sobre Sartre, temos um grupo de estudos dedicado a estudar o pensamento do autor, bem como o debate promovido com outros filósofos, literatos, etc. O Grupo de Estudos Sartre (GES-UECE), fundado em 2005, tem 4 anos de existência e se prepara para renovar seu projeto para os próximos 4 anos. Dentre nossos trabalhos desenvolvidos destaca-se os "Cadernos Sartre" (ISSN 1983-6473), uma publicação em parceria com a reitoria e a editora da UECE, que conta com artigos de estudiosos acerca do pensamento sartriano, bem como eventos na área acadêmica.

Os membros do GES se reunem todas as quartas a partir das 14 h no Centro de Humanidades da UECE - Campus Benfica: AV. LUCIANO CARNEIRO, 345 - FÁTIMA - Fortaleza-Ce

Quem deseja participar do grupo ou simplesmente conhecer nossas atividades é só entrar em contato pelo e-mail: sartre@uece.br

Por Carlos Henrique Carvalho

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Minicurso de Fenomenologia


Durante esta semana estarei ministrando em conjunto com a prof. Eliana Paiva e o prof. Anselmo Leão, o minicurso "Introdução à fenomenologia de Husserl: a construção do método fenomenológico.
Nesta segunda foi desenvolvida uma abordagem histórica de modo a situar a fenomenologia dentro de um movimento histórico-cultural europeu, iniciado na segunda metade do século XIX e que perpassa sua constituição como ciência e método no século XX.

No dizer de Natason (1998, p. 8): “...aprende-se o que é fenomenologia passo a passo, através da leitura, discussão, e reflexão... O que é necessário é mais simples: aprender o que se deve através de atitudes naturais, tentar descrever as apresentações sem pré-julgar os resultados tomando por garantia a história, a causalidade, intersubjetividade , e valor que ordinariamente associamos com nossa experiência, e examinar com absoluto cuidado a estrutura do mundo da vida diária para que possamos entender sua origem e sua direção... Há um senso legítimo no qual é necessário dizer que se deve ser um fenomenologista para poder compreender a fenomenologia.”

De modo geral, afirma-se que a Fenomenologia nasceu como um movimento questionador no modo científico de pensar: a fundamentação crítica acerca da metafísica moderna e sua postura epistemológica que fundamenta o conhecimento, isto é, as teses defendidas por Descartes, Kant, Hegel e outros menos citados.

Neste sentido, há muito o que apreender acerca desse movimento iniciado por Husserl e seguido com maestria por Heidegger, Sartre e Merleau-Ponty. Durante a semana, pretendemos abordar conceitos fundamentais para compreensão deste método tais como: o fenômeno, a intencionalidade, a redução fenomenológica e transcendental, a contingência, o ego e a relação sujeito-mundo.

Por Carlos Henrique Carvalho

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Diplomas do Mercosul poderão ser validados automaticamente


Tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 4872/09, do deputado Eliene Lima (PP-MT), que estabelece a admissão automática dos diplomas - de graduação, especialização, mestrado e doutorado - dos países do bloco MERCOSUL para a contratação de professores e para concursos públicos.

Se vingar, será uma ótima notícia para todos os professores e futuros doutores, levando em consideração o sacrifício e desgaste que é fazer um curso superior e dar sequência aos estudos com especializações, mestrado e doutorado. Para se ter uma ídéia não se leva menos de 10 anos para passar por todo este processo, se levarmos em conta que uma graduação dura em média 4-5 anos, dependendo dos cursos e dos Tcc's, mestrado 2 a 2,5 anos e doutorado com mais 4 anos de investigação, pesquisa e fundamentação da tese.

O mais desgastante é se dedicar ao máximo a vida acadêmica, se permitir a errar, a aprender e descobrir que não pode concorrer a uma vaga em concurso público porque o diploma não é reconhecido pela Capes. Daí é possível vislumbrar que tal projeto pode vir a abrir as portas para muitos estudiosos dedicados que tem ficado de fora de processos seletivos por conta da não validação do diploma de cursos feitos no exterior. No mais, é aguardar para ver o projeto virar lei, entrar em ação e provocar as mudanças pertinentes ao processo educacional brasileiro.

Quer saber mais?

http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=136074

http://www.direito2.com.br/acam/2009/jun/12/diplomas-do-mercosul-poderao-ter-reconhecimento-automatico

http://www.opovo.com.br/politica/884825.html

Por Carlos Henrique Carvalho

sexta-feira, 29 de maio de 2009

As encruzilhadas do cotidiano


"É sempre mais fácil para um regime vender automóveis aos pobres do que elevar seu nível de vida, dar-lhes trabalho, escolas, moradias". (Jean-Paul Sartre 1905-1980)

Admira-nos a cada cotidiano vivido, a experiência mal extraída das situações que nos movem a algum lugar. A identidade do homem no mundo sempre foi e sempre será construída em função da sociedade e do sistema no qual ele está inserido. Isto envolve, o processo histórico, a cultura e o próprio sentido de pertença do homem. No entanto, raramente alguém se dá conta de qual o seu lugar no mundo. Do indivíduo que sai cedo para o trabalho àquele que vive boa parte do tempo no ócio, grande parte dos homens desconhecem o(s) sentido(s) naquilo que faz.

A média de vida do ser humano gira em torno dos 70 anos, embora, não estejamos certos em qual parâmetro concreto esta estatística se apóia. Mas o fato é que o tempo que se perde procurando coisas que não contribuirão para nossa formação como sujeito é demasiadamente maior do que o tempo que temos para fazer algo produtivo.

Quantas vezes nos encontramos ante os desafios, sem saber como agir? É precisamente contra qualquer inércia que devemos proceder. O propósito do indivíduo, qualquer que seja, não é o de apontar soluções, mas de despertar para o problema. Não é porque o mundo se encontra feio, sujo e mau que se torne insuportável de viver. Se ele não contesta e não reage a esta situação, ele não é nada.

A vida é sinônimo de luta, é resistência e o caminho do indivíduo passa cotidianamente por desafios sem fim, por conflitos sem tréguas e a sua identidade vai se reconhecendo, enfim, por meio deste processo.

Carlos Henrique Carvalho

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sartre - existencialismo e humanismo


“O homem é a medida de todas as coisas, das que são e das que não são.”
(Protágoras)

O pensamento de Jean-Paul Sartre confunde-se com a história da França e do mundo no século XX. É difícil conceber na estrutura do pensamento contemporâneo, uma personalidade com tamanha profundidade e versatilidade no que tange ao conhecimento humano. De fato, fala-se de Sartre como um sujeito impar, que foi capaz de deixar um grande legado para a epistemologia do ocidente ao expressar a condição humana de forma tão intensa e radical.

Nascido em 21 de junho de 1905, Sartre viveu os momentos mais marcantes do confuso século com a primeira metade sendo intercalada por duas grandes guerras mundiais, pela crise do capital na quebra da bolsa em 1929, e na segunda metade com a guerra da Argélia, o colonialismo russo, americano, inglês e francês, a péssima condição dos operários das fábricas, a revolução cubana, a guerra do Vietnã, o anti-semitismo, o racismo etc. Foi a partir de todos esses eventos que ele construiu uma vasta trajetória de homem que nunca negou a responsabilidade de ser sujeito da sua história, bem como de personalidade permanente no mundo do pós-guerra, visto que nunca relaxou em se engajar ativamente para fazer frente aos problemas do seu tempo.
Autor de frases notáveis como: “O homem está condenado a ser livre”, “O inferno são os outros”, “A existência precede a essência”, enfim, de obras por uma filosofia da ação, do engajamento, da ética enquanto prática e da liberdade. Sartre destacou-se no cenário francês do pós-guerra, a partir de 1945 até o fim da vida, em 1980, deixando sua marca na história da filosofia pela expressividade do pensamento e por uma proposta de uma ética enquanto fundamentadora do nosso caráter de ser livre.

Sartre é um homem múltiplo. Para se ter uma noção: é o pensador que se expressa em suas análises, sobre os mais complexos tipos de sistemas e idéias que perpassam a antropologia, a ética, a literatura, a política, o cinema, o teatro, o jornalismo e outros campos que, por ventura, não mencionaremos. Ao abranger todas as perspectivas possíveis na compreensão do que é o homem, ele se destaca no século XX como o arquétipo do sujeito engajado em todos os sentidos, sempre em busca de afirmar, na prática, a autonomia do homem frente ao Estado, à sociedade, à família e às instituições de caráter alienante. Suas incontáveis obras falam por si. Denominado pai de uma corrente filosófica: o existencialismo-ateu, que entre os anos de 1940 e final de 1960 se tornou moda no mundo, Sartre fez de um tempo marcado pelas agruras das guerras e dos conflitos, o portfólio fiel para a interpretação do homem do seu tempo ou ainda, do humanismo que latejou e ainda lateja no panorama histórico e filosófico do ocidente.

A questão do humanismo em Sartre não pode nunca ser confundida com o humanismo que fincou raiz na modernidade. Ao contrário, o humanismo que a modernidade cartesiana (Descartes) abraçou com todas as forças acreditava na realização de uma essência humana definida antes mesmo de nossa existência. Em outras palavras, o humanismo moderno, embora, aceitasse os pressupostos da razão, é profundamente imbuído de um teocentrismo, que colocava Deus acima de todas as coisas.

Já o humanismo de Sartre pode ser mais bem compreendido através de sua mais destacada conferência, intitulada O existencialismo é um humanismo. Sartre tenta repensar sua filosofia, procurando explicar por que considera a filosofia existencialista um humanismo. Afirma que o homem não nasce com essência alguma. Inicialmente apenas existe, aparece, está aí, jogado, e só depois será alguma coisa, dependendo do que faça de si mesmo. A existência do homem é uma condição para ele construir-se como homem. E isto não quer dizer apenas o desenvolvimento biológico ou psíquico. O homem deve construir-se a partir de seus planos, a partir da responsabilidade que tem por si e pelos demais. Esta responsabilidade faz o homem sentir-se em contato com o mundo que o cerca, e ser tocado pelos problemas da sociedade. Isto lhe gera angústia, que “não deve levar a um quietismo, e sim à ação”, buscando tornar-se útil à sociedade. “O homem está condenado à liberdade”. Tal é a máxima sartriana, inúmeras vezes citada, que se tornou um lugar comum ao se falar em liberdade. Por que condenado? Afirma Sartre, que a essência do homem é liberdade. Os homens fazem a partir da liberdade, o que bem entendem de si mesmos.

Com isso, evidencia-se que Sartre não foi simplesmente um filósofo e por ter desenvolvido múltiplas atividades na sua vida, acabou despertando o interesse para-além da Academia. De fato, não é um erro afirmar que a figura pública do intelectual engajado nasce e morre com Sartre. Como um existencialista, ele se esforçou por mostrar que a existência é sempre um estar em situação.

Assim, é sobre o paradigma da existência que ele construiu toda a sua filosofia. A existência é uma condição fundamental para a construção do projeto humano. O homem é tido como o conjunto de suas ações e, nelas, ele afirma a sua condição de ser humano.

Carlos Henrique Carvalho Silva –
carlosmachiavelli@yahoo.com.br
Mestre em Filosofia Contemporânea e Coordenador do Grupo de Estudos Sartre - UECE

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Impressões acerca do debate na TV União


Na terça-feira, vinte de janeiro de 2009, tive a oportunidade de estar na TV União, juntamente com a professora Eliana Paiva para um debate sobre Sartre. Neste sentido, posso apontar algumas questões interessantes sobre o que aconteceu:
1. Ao entrarmos na emissora fomos recebidos por uma secretária que nos entregou um termo de cessão de imagem para assinar e deixar com a emissora.
2. O apresentador do programa Da Hora, Rodrigo Vargas foi bastante solícito e soube conduzir o debate com o conhecimento de quem sabia o que estava fazendo.
3. No primeiro bloco do programa que tratou basicamente sobre a figura pessoal e pública de Sartre, posso destacar a seguinte frase: "Em que princípio eu posso me apoiar para assassinar o outro ou em que tipo de norma o outro pode se apoiar para me matar?". A frase foi dita quando citei a presença de Sartre no quadro do exército francês durante a 2° Guerra Mundial e o mesmo via diariamente pessoas sendo cruelmente exterminadas. Citamos que esta impressão contribuiu muito para moldar o seu pensamento.
4. No segundo bloco foi tratada a relação entre existencialismo e marxismo na qual citei e expliquei a frase de Sartre: "O marxismo é o horizonte insuperável do nosso tempo". A influência de Marx, Hegel e Husserl na França nos anos 30-40 também foi discutida.
5. No terceiro bloco registro a crítica da Eliana ao fato da sociedade ser vista como algo doente e se apoiar em remédios para justificar a cura dos seus problemas. Na ótica de Sartre é um equívoco pensar uma sociedade doente ou sã. E eu complementei, "A angústia ou a náusea não são doenças, mas sintomas da existência e da própria realidade humana. É preciso aprender a lidar com uma dor do mesmo modo que se lida com uma alegria. Sem entrar em desespero. O homem sente as dores e as alegrias na mesma intensidade".
6. No bloco seguinte foi mostrada a relação entre Sartre e Beauvoir no amor e na escrita. A distinção entre amor necessário (Sartre e Beauoir) e amores contingente(Sartre e olga ou Sartre e Sylvie). Também fica em destaque a resposta da Eliana acerca do estilo de escrita de Sartre - em forma de ensaio - e minha complementação exemplificando o sub-título de O ser e o nada - Ensaio de ontologia fenomenológica.
7. Um das perguntas mais interessantes do programa feita pelo apresentador Rodrigo Vargas foi com relação a história: "Para Marx e história sempre se repete como uma farsa ou uma tragédia. E para Sartre?". Num primeiro momento titubeamos em responder, mas quando o apresentador retrucou, a Eliana foi taxativa: "a história para Sartre não se repete. Os momentos são diferenciados". E complementei: "a temporalidade (passado, presente e futuro) pode nos ajudar a entender a questão", explicando em seguida porque a minha história não pode ser resultado das ações erradas dos meus pais ou antepassados. As situações da minha existência são distintas das do meus pais.
8. Houve uma pequena brincadeira entre o apresentador e nós quando tive que explicar de uma forma bem espontânea sobre a má-fé, dizendo que estaria morrendo de vergonha e queria sair dali correndo ao que o apresentador retrucou: "rapaz, não faça isso". E em seguida, expliquei a atitude de má-fé, quando se trata de justificar a solução para o desespero através de uma atitude contrária a da afirmação do sujeito. Isto é, "estou desesperado, afundado numa crise emocional e financeira e o que faço? Vou para a igreja achando que lá estará a solução para tudo".
9. Por último tivemos o bloco final para divulgar nosso trabalho - Cadernos Sartre - agradecer o convite e enaltecer a importância desse debate.
Assim, acredito que o saldo do debate foi positivo, haja vista que conseguimos mostrar um pouco do pensamento sartriano numa linguagem acessível a todos. A repercussão entre os estudantes da UECE, amigos, conhecidos e pessoas que citaram nossa presença no debate foi notória.
Agradecemos a todos a audiência, as mensagens e os e-mails enviados.

Carlos Henrique Carvalho