sexta-feira, 4 de junho de 2010

Agora, já e sempre


Por Carlos Henrique Carvalho

Enfim, foi aprovado o projeto de lei Ficha Limpa. A pressão popular pela lei sem vetos surtiu efeito e agora esperamos ver ética e transparência na coisa pública. Em suma, o projeto de lei estabelece que pessoas condenadas por corrupção eleitoral, por compra de voto ou por gastos ilícitos de recursos de campanha fiquem inelegíveis por oito anos. Também torna inelegíveis pelo mesmo prazo detentores de cargo na administração pública condenados em órgão colegiado por abuso de poder econômico.

sábado, 8 de maio de 2010

Evento dedicado a Sartre


Por Carlos Henrique Carvalho


Informe de evento


O evento dedicado a acolher com comentários os 50 anos da passagem de Sartre pelo Brasil em 1960 será realizado no Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE) em Fortaleza, no período de 28 a 31 de julho de 2010 e será promovido pelo Grupo de Estudos Sartre (GES-UECE). Neste evento, pretende-se fazer um resgate histórico, político e artístico do pensamento sartriano no período compreendido entre a década 1960-1970 quando ele visita o Brasil do norte ao sul, durante dois meses juntamente com a sua companheira Simone de Beauvoir. O convite havia sido feito por Jorge Amado e alguns intelectuais brasileiros e ficou marcada pela Conferencia de Araraquara em São Paulo. É importante ressaltar que neste ano também se comemora o cinquentenário de publicação do seu segundo grande trabalho filosófico, A crítica da razão dialética.Ao mesmo tempo em que lamentamos os 30 anos sem a sua presença marcante, polêmica e polemizante, relembramos o seu legado diverso e divergente que alcançou prestigio e levantou a bandeira do pensamento existencialista e marxista.



sexta-feira, 30 de abril de 2010

Professores às favas e educação também!

Por Carlos Henrique Carvalho

Costuma-se dizer que educação com qualidade começa com bons incentivos na área. No caso do nosso estado, pode-se falar em tudo, menos que haja investimento na educação. A começar pelo salário miserável do professor de Ensino Médio que ganha por aqui a "bagatela" vagabunda de R$ 1.327 por uma carga horária de 40 horas aulas. Ou seja, você passa 4 anos fazendo um curso de graduação, para no fim das contas ser bem sucedido num concurso público e receber um salário deplorável.
Em reportagem do Diário do Nordeste, Alagoas paga melhor aos seus docentes em início de carreira do que o Ceará. Lá, a categoria recebe pela mesma carga horária, R$ 2 mil. Já no Estado do Maranhão, o piso é de R$ 2,8 mil. Assim, de todos os estados do Brasil, o Ceará figura como o quinto pior pagador. Na postagem do dia 16 de março deste ano, falei sobre o descumprimento da lei do piso salarial para a educação que continua sendo questionado judicialmente pelos governantes.
A partir desta pesquisa posso indagar: como dar aula num lugar em que se é mal pago, mal preparado e pessimamente incentivado? Muitos dos problemas em sala de aula começa realmente pela remuneração ínfima (um pouco mais que dois salários mínimos), mas não reside somente nele. É possível encontrar muitas escolas sem a mímina condição de se ministrar aulas com problemas que vão desde a falta de material escolar até merenda e atraso no salário dos professores e funcionários.
É preciso ter muita coragem, passar por necessidade ou ser masoquista para assumir um cargo de professor na Rede Estadual de Ensino do Ceará.

Ps: A imagem foi retirada do site do diario do nordeste, da reportagem que questiona o quadro salarial dos professores no Ceará.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=763696


terça-feira, 27 de abril de 2010

50 anos de sartre no Brasil


Por Carlos Henrique Carvalho

Já iniciamos as comemorações de 50 anos pela passagem do casal Sartre-Beauvoir pelo Brasil em 1960.
Em breve, o Grupo de Estudos Sartre começará a organizar o evento dedicado a relembrar esta passagem, bem como divulgar pesquisas e estudos a respeito dos escritores existencialistas.

AGUARDEM!!

Na imagem, Sartre e Simone na praia de Copacabana – Rio de Janeiro em 1960.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cinco atividades sócio-educativas no Ensino Médio


Por Carlos Henrique Carvalho


Inicialmente é preciso destacar que a escola ainda não é um espaço democrático na construção do conhecimento, visto que o estudante precisa ser mais bem reconhecido como alguém fundamental para o efetivo exercício do ensinar-aprender. Neste sentido, infelizmente não é possível afirmar que a escola trata o aluno nem como sujeito, tampouco como alguém ativo dentro do sistema de ensino. Apesar dos educadores terem a função/missão de contribuir para a formação do processo de identidade, isto não vem ocorrendo a contento.
A escola carece de uma estrutura pedagógica capaz de se orientar por uma relação mais dinâmica, acolhedora e capaz de ouvir o que for preciso. No entanto, ainda que seja um espaço relacional que abriga alunos com diferentes idéias, culturas e modos de vida, ela precisa estabelecer melhor essa possibilidade de abertura para as diferenças existentes dentro dela e da comunidade na qual se encontra inserida. Creio que este seria um caminho para colaborar com o processo de construção da identidade dos educandos.
Nesse sentido acrescento cinco atividades educativas adequadas ao desenvolvimento do “status quo” do educando:
1. Criação de um enfoque disciplinar filosófico baseados na dramatização oral-textual através do teatro de situação, que visa reconhecer um determinado contexto social no qual os alunos se encontram inseridos (a violência, por exemplo) e estimulá-los a descobrirem porque e como o cotidiano de sua comunidade pode ser visto e (re) transformado.
2. Criar o cantinho da leitura (biblioteca) e da cultura na escola que terá a responsabilidade de criar oficinas, cursos, seminários voltados para o desenvolvimento intelectivo e humano dos alunos.
3. Construir um projeto sócio-cultural e educacional que envolva a comunidade na qual a escola esteja situada e mantenha uma política de premiações para formação de escritores, cordelistas, cantores, atores, atletas, etc.
4. Incentivo as gincanas matemáticas, culturais e esportivas como forma de preparar os alunos para o entendimento de raciocínio lógico e conscientizá-los da importância de cuidar da mente e do corpo.
5. Criação do projeto cultural (jornal do colégio) e do concurso de redação aberta para estimular a juventude a produzir e melhorar sua escrita e produção textual.
Assim, o papel do professor do Ensino Médio na melhoria do desempenho dos alunos deve passar pela compreensão de que também é responsável pelo péssimo nível do ensino e, logo, pelos índices negativos da educação brasileira. Só será possível falar em participação dos professores desse nível de ensino se houver um engajamento por parte deles, seja elaborando os projetos pedagógicos no sentido de melhorar a qualidade do ensino de ciências, matemática, português, filosofia, etc. seja construindo uma relação de afinidade com os membros da escola, inclusive, os alunos tomando noção do seu problema e tendo a condição de trabalhá-la melhor.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília 50 anos


Por Carlos Henrique Carvalho

Para não passar batido a respeito dos 50 anos da fundação de Brasília, escolhi pegar relatos da escritora feminista Simone de Beauvoir no seu diário brasileiro, relatos escritos em 1960, quando da sua passagem pelo Brasil juntamente com o companheiro Jean-Paul Sartre. Suas considerações acerca da capital federal me parecem muito elucidativa e espelha melhor o que penso e reflito acerca da cidade artificial do que qualquer informação da mídia globalizada.

A caminho da capital:
Niemeyer prometera enviar-nos de Brasília uma perua e um motorista — ninguém apareceu, a viagem começava mal... Enfim, o carro surgiu, conduzido por um homem de bigodes… No caminho, compreendemos a razão de seus atrasos. A mala do carro estava cheia de relógios e jóias. Acumulava as funções de motorista e de polícia, o que facultava frutuosos contatos com um tipo de trabalho muito importante no Brasil: os contrabandos. Confiscava-lhes, ou comprava-lhes a preço baixo suas mercadorias, que os habitantes de Brasília, isolados do mundo, adquiriam a preços caríssimos...
Brasília:
À noite, enfim, chegamos a Brasília. Uma maquete em tamanho natural. Essa falta de humanidade salta logo aos olhos… Só se pode circular de automóvel… A rua, esse lugar de encontro entre moradores e turistas, lojas e residências, sempre imprevistas — a rua, tão cativante em Chicago como no Rio, por vezes deserta e sonhadora, mas cujo silêncio é vivo. A rua em Brasília não existe nem existirá.
Palácio da Alvorada:
Muito longe, no mínimo a 10km, ergue-se o Palácio da Alvorada, onde reside o presidente... Em um lago, duas ninfas de bronze ocupam-se em se pentear: dizem que elas representam as duas filhas de JK arrancando os cabelos porque relegadas a Brasília.
Juscelino Kubitschek:
Tivemos com ele, em seu gabinete, uma breve conversa, bastante formal. Ele encara Brasília como obra sua, pessoal. Na Praça dos Três Poderes há um museu consagrado à história da nova cidade. Dir-se-ia uma escultura abstrata; simples, inesperado e muito belo; infelizmente, de uma das paredes, surge, em tamanho maior que o natural e verde, a cabeça de Juscelino.
Cidade livre:
A impressão é de uma cidade do faroeste...a calçada é uma confusão; pisam-nos os pés, a poeira avermelha nossos sapatos, entra em nossos ouvidos, irrita nossas narinas, arranha nossos olhos, o sol nos castiga. No entanto, nos sentimos felizes, porque nos reencontramos na terra dos homens.
Risos:
Freqüentemente acontecem incêndios; a madeira, naquela secura, inflama-se com rapidez; pouco antes de nossa chegada um quarteirão pegara fogo; não houve vítimas, mas viam-se, por toda parte, escombros, destroços, móveis enegrecidos, sucata, colchões rasgados. Esquecíamos, porém, essa tristeza, vendo pelas ruas, da Cidade Livre os candangos abraçando-se e rindo. Eles não riam em Brasília.
Mito ou monstro
Jorge Amado reconhecia que Brasília era um mito...Guardo a impressão de ter visto nascer um monstro, cujo coração e pulmão funcionam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante.

domingo, 18 de abril de 2010

A escola e suas atividades: o papel do professor

Por Carlos Henrique Carvalho

Inicialmente é preciso destacar que a escola ainda não é um espaço democrático na construção do conhecimento, visto que o estudante precisa ser mais bem reconhecido como alguém fundamental para o efetivo exercício do ensinar-aprender. Neste sentido, infelizmente não é possível afirmar que a escola trata o aluno nem como sujeito, tampouco como alguém ativo dentro do sistema de ensino. Apesar dos educadores terem a função/missão de contribuir para a formação do processo de identidade, isto não vem ocorrendo a contento.
A escola carece de uma estrutura pedagógica capaz de se orientar por uma relação mais dinâmica, acolhedora e capaz de ouvir o que for preciso. No entanto, ainda que seja um espaço relacional que abriga alunos com diferentes idéias, culturas e modos de vida, ela precisa estabelecer melhor essa possibilidade de abertura para as diferenças existentes dentro dela e da comunidade na qual se encontra inserida. Creio que este seria um caminho para colaborar com o processo de construção da identidade dos educandos.
Por sua vez, acrescento cinco atividades educativas adequadas ao desenvolvimento do “status quo” do educando:
1. Criação de um enfoque disciplinar filosófico baseados na dramatização oral-textual através do teatro de situação, que visa reconhecer um determinado contexto social no qual os alunos se encontram inseridos (a violência, por exemplo) e estimulá-los a descobrirem porque e como o cotidiano de sua comunidade pode ser visto e (re) transformado.
2. Criar o cantinho da leitura (biblioteca) e da cultura na escola que terá a responsabilidade de criar oficinas, cursos, seminários voltados para o desenvolvimento intelectivo e humano dos alunos.
3. Construir um projeto sócio-cultural e educacional que envolva a comunidade na qual a escola esteja situada e mantenha uma política de premiações para formação de escritores, cordelistas, cantores, atores, atletas, etc.
4. Incentivo as gincanas matemáticas, culturais e esportivas como forma de preparar os alunos para o entendimento de raciocínio lógico e conscientizá-los da importância de cuidar da mente e do corpo.
5. Criação do projeto cultural (jornal do colégio) e do concurso de redação aberta para estimular a juventude a produzir e melhorar sua escrita e produção textual.
Assim, o papel do professor do Ensino Médio na melhoria do desempenho dos alunos deve passar pela compreensão de que também é responsável pelo péssimo nível do ensino e, logo, pelos índices negativos da educação brasileira. Só será possível falar em participação dos professores desse nível de ensino se houver um engajamento por parte deles, seja elaborando os projetos pedagógicos no sentido de melhorar a qualidade do ensino de ciências, matemática, português, filosofia, etc. seja construindo uma relação de afinidade com os membros da escola, inclusive, os alunos tomando noção do seu problema e tendo a condição de trabalhá-la melhor.