domingo, 8 de novembro de 2009

O dia em que um muro caiu


Por Carlos Henrique Carvalho


Há 20 anos (9 de novembro de 1989), depois de 28 anos de existência, ruiu o muro de Berlim, uma aberração política criada pela Guerra Fria, que separava a Alemanha em duas nações (uma capitalista e outra comunista). A queda simboliza o marco final da guerra fria e a reunificação não apenas política, mas estrutural (geográfica, econômica, social, etc.) de uma nação que pagou um preço muito caro por duas fatídicas guerras mundiais.
A derrubada do Muro, abriu o caminho nao apenas para a reunificação alemã, que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990. Mas historicamente significou o fim da Guerra Fria. Por isso, o fato histórico não poderia deixar de ser relembrado, mesmo porque hoje vivemos rodeados de muros, obstaculizando a vida e nada fazemos para mudar essa condição espúria.
Quem quiser conhecer os motivos ou simplesmente tiver curiosidade acerca desse muro, deixo a sugestão de alguns sites:

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss e a herança de um pensamento para o século XXI


Sobre Claude Levi Strauss, falecido em 31/10/2009 aos 100 anos.
Noticia retirada da AFP

PARIS, França — Claude Lévi-Strauss mudou nossa percepção de mundo ao estabelecer as bases da Antropologia moderna, e influenciou gerações de cientistas que dão continuidade a sua obra.

Desde os anos 1950 e depois da publicação de sua tese sobre "As estruturas fundamentais de parentesco" (1949), Lévi-Strauss implementou um novo método de análise, que passou a ser ferramenta comum dos antropólogos, especialmente na França.

O "parentesco" - ou seja as regras de aliança, filiação, residência ou transmissão nos povos - é o eixo da Antropologia, que estuda o homem em sua dimensão social.

"O grande tema da Antropologia é a variação entre as diferentes culturas. Por que há culturas diferentes?", resume Anne-Christine Taylor, especialista em culturas indígenas da Amazônia e ex-aluna de Lévi-Strauss.

"Para esta questão, ele contribuiu com uma abordagem totalmente nova, partindo do pressuposto de que há uma ordem por trás das diferentes culturas. Não ocorre ao acaso. Não é simplesmente a história que torna as sociedades diferentes, e menos ainda as diferenças genéticas e outras, como se acreditava no século XIX", acrescenta.

A transformação dessa intuição em uma disciplina constituiu o Estruturalismo, do qual Claude Lévi-Strauss é considerado fundador.

Em meados dos anos 1950, a publicação de "Tristes trópicos" (1955) consagrou sua reputação internacional.

O livro, de grande qualidade literária, o permitiu ter acesso a um público amplo, muito além da comunidade científica. E isso apesar de o estilo e o método de Lévi-Strauss terem suscitado questionamentos, em particular entre os cientistas anglo-saxões.

Titular da cátedra de Antropologia Social do Colégio da França a partir de 1959, o antropólogo formou uma primeira geração de alunos que, como Françoise Héritier, exploraram e prolongaram sua teoria de parentesco.

"Hoje, uma segunda geração continua enriquecendo a Antropologia, inspirando-se nas partes um pouco subterrâneas do pensamento de Claude Lévi-Strauss", afirma Anne-Christine Taylor, que dirige o Departamento de Pesquisa e Ensino do Museu do Quai Branly.

Cientistas como Emmanuel Desvaux, que estuda as populações indígenas da América do Norte, ou Philippe Descola, especialista em índios da Amazônia, são herdeiros de Lévi-Strauss. Mas o antropólogo influenciou também jovens cientistas brasileiros, como Eduardo Viveiros de Castro, que explora a fronteira entre Filosofia e Antropologia.

"Têm uma relação com a obra de Lévi-Strauss um tanto diferente da geração anterior, ao mesmo tempo mais crítica e muito fiel ao espírito de sua obra", ressalta Taylor.

O retorno de Lévi-Strauss foi promovido nos últimos anos por filósofos. Depois dos grandes debates que o opuseram nos anos 1960 a Jean-Paul Sartre, entre outros, Lévi-Strauss (catedrático de Filosofia em 1931) suscita um novo interesse como filósofo, humanista e esteta.

No centro dessa reflexão está o pessimismo de Claude Lévi-Strauss, que tinha obsessão pela explosão demográfica e pela ideia de que o mundo avança na direção equivocada.

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sábado, 31 de outubro de 2009

Palestra SESC Filsofia


Por Carlos Henrique Carvalho
"Precisamos colocar em suspenso, o dinheiro como motor do mundo..."
Na próxima quinta, dia 05/11 estarei debatendo a temática intitulada, A sociedade do medo, no projeto SESC Filosofia, direcionado ao público em geral, mas que tem como freqüentadores mais assíduos, os comerciários.
A escolha do tema a sociedade do medo é pessoal na qual elaborei uma serie de comentários tendo por base a filosofia de Zygmunt Bauman através da obra O medo liquido. Também mostrarei alguns exemplos clássicos de como essa sociedade do medo se afirma na mídia, cinema e música.
Quem se interessar em participar, o local da palestra é SESC (Rua Clarindo de Queiroz, 1740 – Centro, começa as 18 h e vai até as 21 h.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A culpa é do solo


Por Carlos Henrique Carvalho
Até que ponto vai a inércia e a falta de ação política?

Em Fortaleza, há anos planeja-se a construção do hospital da mulher. Surgiram muitas falácias, criticas de todos os lados, a favor e contra a idéia, fizeram um projeto, deram inicio a obra em 2008 e ate agora nada de hospital. O problema não é o fato do hospital não se encontrar pronto, mas a desculpa que os responsáveis (não encontrei outra palavra melhor) pela construção da obra arrumaram para justificar o atraso: “falta de homogeneidade do solo sobre o qual está sendo construído o Hospital”. Em outras palavras, a culpa é do solo.

Fizeram anos de estudos técnicos no local (bairro do Jóquei Clube) para somente após iniciarem a obra descobrir que o solo não presta. O mais interessante, no entanto, são as noticias dando conta de que um relatório inicial do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou desvio de verba de R$ 4,9 milhões. Segundo Matéria veiculada no dia 28/10/2009 pelo jornal O povo: “um trecho da obra está cedendo porque nele não foram colocadas estacas de sustentação de cimento e ferro, como deveria ter sido feito. Essa parte está sendo escorada de modo provisório para que não caia.”.
Agora, descobriu-se que o projeto necessita ser quase todo reformulado. E o poder vigente continua dizendo que isso é picuinha da oposição, mas ainda não atua no sentido de viabilizar um projeto de saúde pública.

Enquanto isso, o solo da nossa cidade recebe a culpa pelo fracasso dos que deveriam fazer algo. Como o solo não pode se defender afunda ainda mais a estrutura do que pode vir a ser o hospital da mulher.

Links das matérias:
http://blog.opovo.com.br/pliniobortolotti/hospital-da-mulher-obra-esta-mesmo-com-problemas/
http://opovo.uol.com.br/opovo/politica/924066.html

Ps: Foto de Rodrigo Carvalho

domingo, 25 de outubro de 2009

Tercetúla à tua ausência.



Por Carlos Henrique Carvalho

Guardei teu mais doce sorriso,
Na moldura de um porta retrato,
Relembrado pela chama da saudade.

Pois quando um dia, o tempo despertou,
A mácula do amor inacabado,
Sofreu meu coração, a tua ausência.

E ainda dilacera a dor no peito,
Pela distância que separa nossas almas,
Então, vivemos eternamente a fugir da dor.

Quando muitos momentos se vão,
Lembro daquele lindo olhar,
Guardado na fronte dos meus sonhos.

É assim que tento reviver você em mim.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Violência urbana no ocidente das próximas olimpíadas



“A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”.(Jean-Paul Sartre)
Quando se trata de escrever sobre a violência, não têm cabimento criar um discurso inflamado e acusar simplesmente as problemáticas econômicas e sociais como fatores preponderantes no surgimento dos conflitos urbanos. No Rio de Janeiro, sede das olimpíadas de 2016, a guerra civil é um fato consumado que não dar pra contestar. O governo enquanto instituição de segurança pública, definitivamente não sabe como lidar com a violência. O despreparo é tão visível que o policial sai das academias ainda imaturo para enfrentar as situações cotidianas de riscos. Assim, cidadãos disputam espaços com os bandidos e as balas que voam a esmo, tirando a vida de cerca de 30 pessoas.
Enquanto isso, em junho de 2005, em Londres, sede das olimpíadas de 2012, aconteceu o pior ataque terrorista desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quatro explosões atingiram o sistema de transporte da cidade, deixando ao menos 37 mortos e 700 feridos. A ação ocorreu um dia após a cidade inglesa ter sido eleita sede da Olimpíada de 2012. Evidentemente, a Inglaterra é bem mais desenvolvida econômica e socialmente que o Brasil e, nem por isso, a situação foi menos grave, o que evidencia que a violência é um problema cultural do ocidente e não exclusividade dos países menos desenvolvidos. Apesar das distâncias geográficas e econômicas entre Rio e Londres, a violência é comum nas cidades que serão as próximas as sediarem um evento de larga proporção social.
Portanto, não adianta inventar um discurso analisando o Rio como cidade despreparada para receber qualquer evento, se tanto por aqui quanto em Londres as tragédias se somam cotidianamente em meio a ilusão de um mundo melhor. Àqueles que desejam criticar e criar discursos virulentos diante dos problemas nacionais, antes de fazê-lo, parem de olhar para o próprio umbigo e descubra que do outro lado do mundo a situação não está tão boa e a grama do vizinho não é tão verde quanto se ver.

Por Carlos Henrique Carvalho

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Atemporalidade dos sentimentos


Por Carlos Henrique Carvalho


Relembrando Paul Valéry (1871-1945), filósofo, poeta e escritor francês, peguei em um dos meus cadernos antigos, anotações marcantes que nos conduz a pensar sobre a atemporalidade dos sentimentos. Releituras como essas nos fazem notar que por mais que o tempo mude as situações, os sentimentos continuam existindo, mesmo decaindo, mas nunca se extinguindo.


"Também acontece que a gente só compreende uma coisa tempo depois de tê-la perdido: um texto, uma intenção, uma pessoa, a própria pessoa. De repente, descobre-se o significado de um olhar que nos foi dirigido há anos passado, por alguém que nunca mais voltamos a ver ou o sentido de uma frase ou a beleza de um verso, que sabemos de cor desde a infância".